segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Grey's Anatomy - 12ª Temporada


            O formato de Grey’s Anatomy parece estar com os dias contados. Não a série em si, mas o formato: nesta 12ª temporada são 24 episódios e era muito comum os canais investirem em vários episódios por temporada até uma década atrás, mas com os serviços de streaming, que popularizou séries com 10, 12, no máximo 13 episódios e considerando que um ator de série também almeja trabalhar com cinema (e vice-versa), os canais investem em menos episódios, até porque isso barateia os custos de produção.


            E não são apenas os canais fechados, como a Netflix ou HBO: o canal ABC (que também distribui Grey’s Anatomy) iniciou, em 2014, a série How to Get Away With Murder, que é produzida pela Shonda Rhimes, que, apesar de ser um programa da TV aberta norte-americana, contém apenas 15 episódios. E parece que esse é mesmo o caminho, séries com menos episódios. E nem estamos falando do formato de antologia, na qual uma temporada é fechada e começa tudo do zero. Fargo e American Horror Story fazem isso com muito sucesso, por exemplo.

            Não bastasse tudo isso, Grey’s Anatomy chega ao seu 12º ano cheia de altos e baixos: a série teve o seu auge, entre a 2ª e a 5ª temporada e claramente foi empurrando sua trama em muitas histórias e personagens que não faziam sentido com o passar dos anos.


            Tudo isso ocorreu porque 1) a série tem fãs no mundo todo, inclusive no Brasil, e a seguem religiosamente e 2) sua criadora, Shonda Rhimes, costuma inventar alguma história megalomaníaca para empurrar o seu carro chefe, como um acidente aéreo ou seqüestro no hospital, mas nada se compara ao leão na 8ª temporada.

            Neste cenário, as expectativas para esta 12ª temporada eram totalmente baixas, sobretudo pelo final da 11ª temporada: houve uma perda irreparável de um personagem e parecia que a série bateria nessa tecla, mas, felizmente, a 12ª temporada de Grey’s Anatomy é tão boa – ou melhor – do que o chamado “auge” da série, sobretudo por levar a sua trama para frente, com poucas lembranças do passado (embora alguns flashbacks funcionem) e há dois elementos que fazem com que esta temporada seja especial: 1) os personagens novos são excelentes e 2) a série não tem medo de ousar.


            Logo no primeiro episódio, temos um caso de duas adolescentes que se amam se são reprimidas pela família e aqui há mais cenas de sexo, beijo entre duas mulheres e os dramas são apresentados sem quase sem pudor nenhum. Ok, é uma série de TV aberta e não dá para esperar uma ousadia como em Sense8, mas considerando que Grey’s Anatomy era uma série “para a família”, isso é um avanço.

            Mesmo tecnicamente a série evoluiu, a montagem está mais ágil, a trilha sonora casa muito bem com a maioria dos momentos e os diálogos estão melhores do que muitos filmes grandes. O episódio 9, por exemplo, onde um paciente agride uma médica, é feita de forma quase visceral e do ponto de vista da vítima. E este episódio é dirigido pelo astro Denzel Washington.


            A maioria dos novos personagens já haviam sido introduzidos na temporada passada, como Amelia Shepherd, Jo Wilson, Stephanie Edwards, Maggie Pierce e Andrew DeLuca. Todos excelentes, cada um tem seu arco dramático e juntando com as novas funções dos personagens já veteranos, como a própria Meredith e Bailey, a série ainda tem muita lenha para queimar, contrariando todas as previsões.

            Grey’s Anatomy tem um grande elenco, tanto em tamanho quanto em qualidade dos atores e há tempos deixou de ser apenas uma série da Meredith Grey, vivida pela Ellen Pompeo. Ok, ela ainda é a narradora (se bem que há 2 episódios aqui que não são narrados por ela) e seu nome é o primeiro nos créditos, mas o nome “Anatomia da Grey” agora é mais protocolar do que uma necessidade.


            Com tantas histórias, tantos personagens cativantes e ainda com uma legião de fãs, Grey’s Anatomy ainda não deu sinal de que acabará. A 13ª temporada já foi encomendada e está sendo filmada. A série andou em baixa entre a 7ª e a 11ª temporada e não era difícil achar quem havia desistido, mas esse “reboot”, que aconteceu nesta nova temporada foi fundamental para dar uma nova vida a este mundo da medicina e para atrair novos espectadores.


            Quem quiser acompanhar a série do começo, com seus mais de 200 episódios, estão todos disponíveis na Netflix, não há problema nenhum, mas, quem começar a acompanhar deste 12º ano, encontrará o início de uma grande história e personagens que se descobre – ou redescobre – junto com os fãs que acompanham esta série que já está na história da TV mundial há mais de uma década.

Nota: 10,0

domingo, 11 de setembro de 2016

Aquarius é um grande feito do cinema brasileiro


            Aquarius está sendo cercado de duas coisas: de elogios e de polêmica. A crítica brasileira segue ovacionando o novo trabalho de Kleber Mendonça Filho (que também dirigiu o excepcional O Som ao Redor) e nada disso é exagerado, o filme é realmente uma obra de arte.

            Mas também há uma polêmica em volta de Aquarius: quando ele foi exibido no Festival de Cannes, tanto o elenco quanto o diretor fizeram um protesto contra o impeachment da então presidente Dilma Rousseff e isso gerou boicote para o filme por iniciativa de alguns e apoio de outros. E ainda, quando ele estreou nos cinemas brasileiros ele foi classificado para censura 18 anos (mas foi rebaixado para 16!) e muitos atribuíram isso a um possível boicote.


            Mas, afinal, Aquarius é um filme político? A polêmica em torno dele faz sentido? A resposta para ambas as perguntas é sim e não, vamos por partes:

            Estamos em um momento delicado da vida política brasileira, onde o clima de intolerância é intenso e o boicote ao filme se deve muito a isso, mas Aquarius não é bem um filme político, ou melhor, pode ser, dependendo do ponto de observação e interpretação de cada um.

            É a história de Clara (interpretada brilhantemente por Sonia Braga), que é a única residente do edifício Aquarius e resiste perante a construtora para ficar em seu lar, que fica na praia de Boa Viagem, no Recife. A construtora em si, a fictícia Bonfim Engenharia, quer construir um grande prédio no local e pressiona Clara a se mudar, inclusive por meio ilícitos, como festas em cima do apartamento dela e um entra e sai de funcionários e equipamentos a qualquer hora do dia.


            Dá para enxergar Aquarius como uma metáfora para as lutas de classes ou como um legítimo Davi e Golias: Clara é uma só contra os poderosos da empreiteira e até seus filhos (sobretudo, sua filha, Ana Paula, que também é uma personagem fascinante!) a pressionam para se mudar do local. Mas, para Clara, o lugar só lhe traz lembranças boas: foi ali que ela criou seus filhos, suas principais lembranças estão lá e ela sempre se lembra que está em um ponto bom de Recife.

            Mas, quem não enxergar nada disso também encontrará um grande filme: é a história de uma senhora na luta contra uma doença (no caso, o câncer) e essa doença, bem como sua convivência com os filhos, têm um grande peso dramático em momentos sutis: a cena em que ela debate com a sua filha é arrepiante e o momento em que sabemos de seu câncer é tão verdadeiro quanto impactante.


            A trilha sonora de Aquarius é praticamente um personagem: ela é vibrante quando tem que ser e introspectiva em momentos-chave. E há uma grande metáfora sobre mídias de música, logo no início, a personagem de Clara é entrevistada e questionada sobre sua coleção de discos de vinil e do que ela acha das novas tecnologias de música. E mesmo algumas canções de Queen, Gilberto Gil, Roberto Carlos e Maria Bethânia não são gratuitas, ela conversa com os personagens e com as situações.

            Para quem não entende o que são os três atos de um filme, aqui são apresentados de forma muito clara: Aquarius é dividido em 3 capítulos (ou atos, como preferirem) e logo no início temos uma cena espetacular de flashback que se passa em 1980 e a sequência é importante para termos a dimensão da família de Clara e o carinho que ela teve por todos ao longo dos anos e a excelente Direção de Fotografia de Pedro Sotero e Fabrício Tadeu. Aliás, tudo aqui foi pensado para que voltássemos aos anos 80, seja o Figurino ou a Direção de Arte de uma Recife de 1980.


            Aquarius é um filme melhor e mais acessível do que O Som ao Redor, mas não deve agradar a todos, e não é apenas pela polêmica política: não tem pressa de contar a sua história e alguns podem dizer que “é muito parado”, além disso, as poucas cenas de sexo não têm pudor em mostrar nada (isso pode explicar o censura inicial de 18 anos, mas que aqui foi um grande exagero).

            Mas, para quem quer ver um grande filme e desprovido de ideologias políticas, Aquarius é um grande marco do cinema brasileiro e, se vierem as indicações ao Oscar, serão mais do que justas. Já faz tempo que o Brasil bate na trave e há tempos o nosso cinema merece estar com os grandes de Hollywood. É esperar para ver.

Nota: 10,0

Star Trek - Sem Fronteiras é perfeito para fãs e não-fãs da saga


            Nunca se discutiu tanto sobre fan service como em 2016, sobretudo por causa das adaptações de quadrinhos e todas até o momento usaram e abusaram de elementos que atraia o fã das antigas. Alguns desses “serviços de fã” foram bem utilizados e outros, nem tanto, mas, não é exagero nenhum dizer que, em 2016, o melhor uso do fan service foi em Star Trek – Sem Fronteiras, sobretudo porque ele não é usado de forma gratuita, é em favor do roteiro e pode comover até mesmo que não sacou essa ou aquela referência.


            Star Trek – Sem Fronteiras é o terceiro filme da trilogia iniciada em 2009, por J. J. Abrams, tinha a responsabilidade de manter a qualidade dos dois primeiros, satisfazer os exigentes fãs de Star Trek e de ser o principal lançamento para as comemorações dos 50 anos da série clássica.


            J. J. não teve tempo de dirigir este terceiro filme porque estava ocupado dirigindo Star Wars – O Despertar da Força e aqui é apenas o produtor, deixando a cadeira de diretor para Justin Lin, que dirigiu 4 filmes de Velozes e Furiosos e, respeitando as devidas proporções, colocou alguns elementos da famosa franquia de carros, como a ação desenfreada e o conceito de família: há um determinado momento em que os integrantes da Enterprise se dividem em duplas e isso foi muito bom para manter o espírito da série clássica e explorar melhor as relações entre os personagens (e não exatamente as mais óbvias!). E quanto à ação, praticamente não há um respiro aqui, exceto por uma piada pontual ou outra de algum personagem.


            Há diversas homenagens à série clássica, e as referências estão em praticamente tudo, desde os diálogos, em algumas cenas e até na trilha sonora poderosa de Michael Giacchino.


            Engana-se quem pensa que Star Trek – Sem Fronteiras seja um filme sombrio e realista, como os dois primeiros tentaram ser: aqui é uma ação de ficção científica, feita tanto para os fãs da saga quanto para o público casual, ou seja, quem vai ver o filme apenas para se divertir e passar o tempo, encontrará um bom produto de entretenimento. E, principalmente, nota-se que Simon Pegg se divertiu muito escrevendo o roteiro ao lado de Doug Jung, tanto que seu Scotty tem um tempo maior de tela e maior importância no grupo, mas seu personagem só se torna completo quando ele se junta à ótima estreante Jaylah, vivida pela ótima Sofia Boutella (que atuou em Kingsman). Simon contou em uma entrevista que escreveu Jaylah pensando em Jennifer Lawrence em Inverno da Alma e aqui é a melhor personagem do filme: mulher forte, determinada e que logo o espectador se envolverá com as suas motivações. Queremos ver mais sobre ela.

            Quem também é novo na franquia e se destaca é o vilão Krall, vivido pelo sempre ótimo Idris Elba, que, aliás, anda em alta em Hollywood e pode ser o novo James Bond. Seu Krall é menos racional e frio do que o Khan de Benedict Cumberbatch, mas tem mais imponência e força, o que o torna igualmente ameaçador.


            Os demais personagens continuam excelentes, Kirk finalmente se assumiu como Capitão, sua amizade com Spock se tornou mais intensa e, aliás, o próprio Spock é um personagem mais cerebral como na série clássica e suas frases de efeito remetem muito ao personagem de Leonard Nimoy.

            Falando em Nimoy, tanto a homenagem a ele, quanto à homenagem ao Anton Yelchin (que faz o russo Checkov), foram honestas e verdadeiras, mas saber que ambos não estão mais entre nós – e que este foi o último filme de Yelchin, foi de deixar qualquer um triste.


            Dificilmente uma trilogia continua vigorosa em seu terceiro filme e Star Trek conseguiu e este novo filme está entre os melhores da saga e é uma pena que ele não esteja indo bem de bilheteria, não foi bem nos EUA e aqui no Brasil perdeu Para Pets, por exemplo, mas, quem disse que a saga está morta? Logo teremos a série nova da Netflix e um novo filme pode aparecer a qualquer momento, seja continuação ou reboot.

            Vida longa e próspera!

Nota: 10,0

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

A EXCELENTE 2ª Temporada de Narcos


            Havia uma grande expectativa para a 2ª temporada de Narcos por parte do público e uma grande responsabilidade por parte dos realizadores: a série estreou em 2015, foi um grande sucesso de público e crítica e o nosso Wagner Moura foi indicado ao Globo de Ouro pelo papel.

            Mas, afinal, porque tamanha expectativa e responsabilidade? As respostas são simples: a primeira temporada terminou de forma completamente aberta e deixou o público ansioso pelo desfecho. E há outro detalhe: a primeira temporada explora mais de uma década da vida de Pablo Escobar e essa segunda só explora 18 meses, que é o período em que ele consegue fugir da prisão que ele mesmo construiu até a sua morte, em dezembro de 1993.

            A Netflix acertou em cheio no marketing da série, em revelar em seus trailers que Escobar morre e livrar o público de um possível spoiler. O que vale mesmo é toda a trajetória e busca de Escobar e quanto menos se sabe, melhor fica a experiência.


            E quem não conhece história pode não entender porque ela fascina tanto: o mundo de Escobar era um Estado dentro de outro, para ele não havia atalho para atingir seus objetivos e a série jamais esconde o que ele é de fato: assassino frio, sanguinário e megalomaníaco. Ele poderia parar a hora que quisesse, mas sempre queria mais. “O presidente dos Estados Unidos sabe o meu nome”, foi o que ele disse em um dos episódios dessa temporada.

            Outra coisa que a série deixa claro é que, apesar de toda a sua história de tráfico, sangue e muitas mortes, Pablo tem admiradores até os dias de hoje. Há uma ótima cena nesta temporada em que ele está em um bairro pobre de Medelín (que ele mesmo construiu) e ele é cercado pela população como um ídolo pop e distribui dinheiro para o povo, mas na tomada seguinte ele mata a sangue frio.


            E havia mais um detalhe sobre essa admiração que muitos tinham sobre ele: se não fosse por seus seguidores e aliados, ele jamais chegaria aonde chegou. Nas duas temporadas, mas principalmente nesta segunda, seus capangas o seguem religiosamente o se matam por ele – literalmente. E em todos os acontecimentos que marcaram a vida de Escobar, como a fuga da prisão e o atentado contra o presidente da Colômbia, ele só obteve êxito por conta de seus capangas.

            Essa segunda temporada foca em seu período pós-prisão, sobre como ele ainda comandava tudo escondido, na busca por ele, seja da polícia, do governo ou do DEA e na ascensão do grupo rival a Escobar, o Cartel de Cali.


            Os episódios desta temporada estão ainda melhores do que da primeira, seja pela montagem mais dinâmica pelo roteiro mais bem amarrado com os acontecimentos ou pelos excelentes personagens.

            A série ainda tem um perfil documental, aqui as imagens da vida real só enriquecem a trama e há várias cenas em que a série fez um trabalho idêntico à realidade.

            Wagner Moura está ainda melhor como Pablo Escobar, mais à vontade no papel e, se vierem as indicações aos festivais (ou possíveis prêmios!), estarão em boas mãos, mas há uma qualidade aqui em relação à primeira temporada: não é apenas uma temporada de Escobar, outros personagens também brilham aqui, alguns novos e outros que tiveram uma nítida melhora em relação ao ano passado: a família de Escobar, sobretudo o elenco feminino, sua mãe e esposa, têm uma presença maior aqui. Sua esposa claramente o ama, mas teme por sua segurança e seus filhos, já sua mãe é uma personagem quase tão fascinante quanto ele: quer o bem para o seu filho independentemente do que ele faça e o protege até a morte.

Steve Murphy e Javier Peña também cresceram como personagens (principalmente Peña) e aqui há um novo núcleo, que é o do Cartel de Cali, sobretudo com a presença de Gilberto Orejuela (dos homens mais ricos da Colômbia) e Judy Moncada, na qual seu marido foi morto por Escobar e agora ela quer vingança.


            Quanto aos personagens novos, o destaque fica com o novo chofer de Escobar, o “Limón”, como era conhecido e Maritza, que entra logo no primeiro episódio e é uma personagem com muito mais camadas do que possa parecer.

            Os 10 episódios desta temporada jamais perdem o ritmo e a série até consegue deixar o espectador tenso, mesmo com todos sabendo do desfecho, mas o destaque fica com o último episódio, na qual o espectador passa, praticamente, recebendo um soco no estômago por 50 minutos, sobretudo nos 20 eletrizantes minutos finais.

            Narcos já foi renovada para a 3ª temporada e embora ela perca seu personagem principal, seu novo tema, que é o Cartel de Cali, é um novo assunto a ser explorado e fica a nossa confiança para os roteiristas, porque há muito material ainda a ser descoberto.

Nota: 10,0

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Pets - A Vida Secreta dos Bichos é tão divertido quanto cativante

      Em 2001, a animação Shrek, da DreamWorks estreou e foi um grande fenômeno de bilheteria, só perdendo, naquele ano, para Harry Potter e a Pedra Filosofal e fez o que parecia impossível: desafiar a primazia da Disney.

        Por alguns anos seguintes, o período das férias escolares sempre continha animações dos dois estúdios e ambas disputavam a atenção do público e decidiam quem sairia vitoriosa.

A DreamWorks ainda está aí, embora em parceria com a Fox, mas, desde 2010, surgiu um novo estúdio que está se consolidando no mercado e que, aos poucos, vai deixando a sua marca: a Illumination Entertainment, responsável por Meu Malvado Favorito e Minions. E com o sucesso estrondoso desta franquia, o estúdio agora está arriscando novos ares, que é o caso de Pets – A Vida Secreta dos Bichos, uma animação original, apesar de conter várias referências externas, inclusive da própria Pixar com Toy Story.


Se a trilogia da Disney/Pixar focava nos brinquedos e no que eles faziam quando seus donos se ausentassem, aqui é mostrado o que os animais fazem quando seus donos estão fora. Quem nunca pensou nisso? É um assunto tão óbvio e tão difícil ao mesmo tempo.

O protagonista é o cãozinho Max e o filme começa mostrando sua relação com a dona, Katie e com os “vizinhos”, no caso, os outros animais.


A relação entre Max e Katie é abalada pela chegada de Duke, um cachorro vira-lata que estava em um canil e, de início, não tem bons modos e começa a nascer uma rivalidade, mas que pode ser prejudicial a ambos...

Conforme Pets – A Vida Secreta dos Bichos vai evoluindo, somos apresentados a vários personagens e situações, também somos apresentados à magnitude da Big Apple e tanto os trailers quanto o material promocional acertaram em entregar apenas o início do filme: há várias camadas a serem descobertas e embora não tenha aquele ponto de reflexão que Toy Story tinha, por exemplo, diverte muito.


            Essa pode ser uma diferença entre a Illumination e a Pixar, na qual uma realiza animações mais reflexivas e algumas capazes de fazer a platéia ir às lágrimas, a outra tem a intenção de divertir a platéia. E quem sai ganhando é o espectador.


            Mas em uma coisa a Illumination aprendeu com a Pixar: que é em fazer personagens cativantes e em colocar easter eggs de seu universo em suas animações: aqui, há várias referências a Meu Malvado Favorito, Minions e a Sing, próximo lançamento do estúdio previsto para o final do ano.

            Quanto aos personagens, não há como não se envolver com eles e possivelmente virarão moda, brinquedos e action figures. Quem não quer um Max ou Gigi para casa?


            Pets – A Vida Secreta dos Bichos foi das maiores bilheterias do verão americano, custou 75 milhões e já faturou mais de 700 (em valores relativos, rendeu mais do que Procurando Dory) e a continuação já foi confirmada. E o sucesso é merecido.

            Pets tinha muito material e conteúdo para ser algo dramático e fazer a platéia pensar, mas que foi pelo caminho do entretenimento, o que não é nenhum demérito, afinal, não vamos ao cinema para se divertir?

Nota: 9,0

Nerve - Um Jogo sem Regras é um jovem clássico a ser apreciado

Nerve – Um Jogo sem Regras é um filme que fala muito com a geração atual e com o mundo conectado, mas dificilmente ficará datado: não é apenas um retrato sobre tecnologias, mas dos nossos costumes e do nosso comportamento, tanto no mundo “real” quanto no virtual. E isso jamais envelhece.


O filme é baseado em um livro de Jeanne Ryan e conta a história de Vee (vivida por uma Emma Roberts muito inspirada), uma moça tímida e sua amiga, Sidney, é viciada em um jogo chamado Nerve, que consiste em um aplicativo de celular no qual as pessoas podem ser observadoras ou jogadoras.

Se escolher ser observador, a pessoa paga uma mensalidade e pode dar os desafios para os jogadores, que devem realizá-los em troca de dinheiro e, se não o fizerem, perdem tudo o que ganharam.


Os desafios são os mais absurdos possíveis, que levam os jogadores ao limite e a pessoa não tem outra saída se não colocar a vida em risco. E tem mais: se a pessoa desiste, perde tudo o que ganhou.

Nerve – Um Jogo sem Regras é uma crítica à nossa dependência às tecnologias e aos chamados “haters” de internet: os personagens do filme se apresentam viciados no jogo e ele se torna mais importante do que a própria vida. E as pessoas são julgadas pelo desempenho do jogo.

Se nos anos 80, havia a diferença entre “perdedores” e “vencedores”, aqui essa diferença migra para “populares” e “não-populares”.

Tanto a montagem quanto a fotografia de Nerve – Um Jogo sem Regras são excelentes: a trama se passa em apenas uma noite e há vários cortes rápidos em cenas pontuais. São cerca de 90 minutos em que o filme deixa o espectador praticamente sem respirar. E a fotografia é vibrante, e, por ser noturna, há vários takes vistos de cima para baixo de Nova York (cidade onde o filme se passa) e as luzes de neon deixam o filme mais intenso.


As seqüências na moto, na escada e na loja de roupas deixam qualquer fã de filme ação tensos na poltrona.

Os diretores Ariel Schulman e Henry Joost (diretores de Atividade Paranormal 3 e 4) realizaram uma obra pop, mas está longe de ser sutil: as conseqüências das ações dos personagens são apresentadas de forma até chocante em alguns momentos, sobretudo no segundo ato.

A roteirista do filme, Jessica Sharzer, também escreveu alguns episódios de American Horror Story e trouxe muito da linguagem da série aqui para o filme, apesar de os temas serem diferentes e seu roteiro só cai mesmo no final: se o filme desafia e provoca o espectador, ele cai na obviedade nos momentos finais e o que poderia ser épico e marcante se torna algo corriqueiro.


Aliás, foi Jessica quem trouxe Emma Roberts para o elenco. Emma também está na série, em algumas temporadas e já se revelou uma atriz muito mais interessante do que ser apenas a sobrinha da Julia Roberts, como era conhecida há uma década. Quem também saiu do estigma de sua família foi Dave Franco, irmão de James e se revelou um ator tão ou mais interessante do que ele.

A química entre Emma Roberts e Dave Franco convence e não há como não torcer por eles, seja como um casal ou como parceiros, mas o mesmo não se pode dizer de Sidney, vivida por Emily Meade, que é apresentada como a melhor “amiga” de Vee, mas que se revela uma quase rival e analisando este filme como uma obra para o público jovem, Vee é a nerd e Sidney é a que pratica bullying. Sidney não convence como amiga, nem como personagem, mas pessoas assim existem na vida real, infelizmente.


Nerve – Um Jogo sem Regras tem tudo para se tornar um jovem clássico e apesar dessas ressalvas, é das melhores opções para quem quer se divertir. E, se fosse feito nos anos 90, seria considerado um “tesourinho de locadora”.
Nota: 9,0

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

2ª Temporada de Scream é boa, mas os problemas são evidentes


            Não tem jeito: sempre quando alguma série derivada de algum filme é anunciada, começa a desconfiança do público, mas também algumas fazem por onde (Minority Report, 12 Monkeys), mas nem sempre uma série assim erra, como Hannibal e Bates Motel.

            Com Scream não foi diferente: muitos não viam com bons olhos a adaptação da quadrilogia de sucesso do saudoso Wes Craven, seja pelo elenco desconhecido ou pela alteração do ghostface, marca registrada da franquia.

            Mas Scream foi uma boa surpresa de 2015 e o elenco jovem pode ser limitado, mas, dentro de seus papéis, a maioria funciona. Até mesmo a nova máscara é esquecida com o passar dos episódios tamanho envolvimento em que o espectador está com a trama.


            Independentemente de gostar ou não, uma coisa é certa: Scream é uma série que vicia e consegue manter o mistério até o final, ainda mais agora que a série foi comprada pela Netflix, que dá para matar a ansiedade em um tempo menor ao invés de esperar a semana seguinte para o próximo episódio.

            Ou seja, Scream é uma série que funciona tanto no formato maratona da Netflix quanto no sistema antigo de se ver TV, que era esperar a próxima semana o com episódios que deixam o famoso “gancho”.

            Foi assim na primeira temporada e é assim na segunda, mas, embora este segundo ano tenha muitas qualidades, ele perde um pouco em relação ao ano passado.

            Após a série de assassinatos em Lakewood e a revelação da pessoa responsável pelos crimes, Emma (papel de Willa Fitzgerald) fica um tempo sumida, mas logo no primeiro episódio ela retorna e todos os sobreviventes tentam viver uma vida “normal”, embora alguns fantasmas do passado ainda apareçam, sobretudo com a Audrey (vivida pela ótima Bex Taylor-Klaus), que passa a sofrer ameaças de um novo assassino e a trata como “parceira”.


            Quem também teve sua rotina abalada foi Noah, que tem um podcast voltado para a onda de crimes na cidade e defende a ideia que o assassino do ano anterior tem agora um parceiro querendo vingança.

            Noah é um personagem interessante, praticamente funciona como um alívio cômico e é um pouco responsável pela metalinguagem com os filmes de terror que a série precisa e que os 4 filmes fizeram muito bem. A amizade entre ele e Audrey é mais intensa, ao passo que também é abalada e testada ao longo da temporada. Começa a surgir um interesse amoroso na vida dele, que, embora ambos não tenham química, funcionam bem separadamente.


            Outro elemento aqui que funciona como metalinguagem para os filmes de terror são os títulos de alguns episódios: logo o primeiro vem com o título de “Eu Sei o Que Vocês Fizeram no Verão Passado” e há títulos como Olhos Famintos e A Cidade dos Amaldiçoados.

            A produção da série continua caprichada e o que é economizado no elenco é bem utilizado na boa fotografia da cidade de Lakewood e nas cenas de terror. No ”elenco” de produtores de Scream, estão os irmãos Weinstein, que são grandes influentes em algumas escolhas da Academia, mas que não dá para negar o bom trabalho técnico realizado por eles.

            Mas esta 2ª temporada de Scream tem problemas, como a falta de ritmo na metade da temporada e ficou claro que 12 episódios eram um exagero. Ano passado foram 10, mas oito episódios também seria um número interessante.


            E nem todos os personagens funcionam: a exceção de Noah, o elenco masculino é péssimo e mesmo o bom elenco feminino, como Emma e Audrey, é um pouco afetado pela falta de carisma deles, mas, nesse quesito, o problema maior fica com Brooke: ela é uma boa personagem e claramente a atriz se esforça com o material que tem, mas, desde a primeira temporada, seus arcos e tramas são de dar dó: começou com o seu envolvimento com o seu professor, chegando ao triângulo amoroso agora e passando pelo seu pai, prefeito.


            Muito se discutiu se as temporadas seguintes de Scream não seguissem o formato de antologia, como American Horror Story faz com muito sucesso, mas os realizadores viram que a história ainda tinha pontas soltas e confiou em seu elenco, mas, claramente, a série não deve ter uma vida muito longa: após o término desta 2ª temporada, foi anunciado um especial de Halloween para outubro de duas horas, que deve ligar alguns arcos deixados por esta temporada e não anunciaram se haverá um terceiro ano.

            Se realmente Scream foi renovada para a terceira temporada, pode ser algo bom ver o ciclo se fechando como uma trilogia cinematográfica – e considerando que as séries da Netflix sejam chamadas de “grandes filmes”, isso faz todo o sentido – mas que tenha uma trama consistente e que justifique uma nova temporada, sem perder o tempo do espectador.

Nota: 7,0