segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Operação Big Hero 6


Operação Big Hero 6 (Big Hero 6)

Direção: Don Hall

Ano de produção: 2014

Com: Ryan Potter, Scott Adsit, Genesis Rodriguez, James Cromwell.

Gênero: Animação

Classificação Etária: LIVRE

‘Operação Big Hero 6’ já nasceu clássico

            Que a Marvel Studios inovou na forma de se fazer grandes filmes baseados em HQs, isso todo mundo já sabe. O que ela agora quer é migrar e arriscar novos ares. Já começou migrando para a TV com a série Marvel’s Agents of Shield e, logo no início de 2015, com Agent Carter.

            E considerando que ela agora é parceira da Disney, não demoraria muito para unir o que ambas têm de melhor: a Marvel com seus super-heróis e a Disney com as animações. A união dessas duas forças resultou em ‘Operação Big Hero 6’.

            É a primeira animação da Disney baseada em uma HQ da Marvel. Não tem a parceria com a Pixar, mas lembra muito. Aliás, nos últimos anos, a Disney adotou a “forma” Pixar de se fazer filmes, seja com novas tecnologias, como em ser inventivo: os últimos filmes da Disney não foram continuação de nada e são 100% “inéditos”, todos muito bem sucedidos, sucesso de público e crítica e que são maravilhosos, são eles: ‘Enrolados’, ‘Detona Ralph’ e ‘Frozen – Uma Aventura Congelante’.

            Arrisco dizer que, nos últimos 3 anos, a Disney está melhor do que a Pixar.

            Outro ponto importante para que essas empresas estejam tão parecidas é o produtor desses últimos filmes da Disney: John Lasseter. Ele praticamente reinventou a forma de se fazer animações com Toy Story 1 e 2 e hoje é dos principais nomes do estúdio – se não do cinema em geral.

            ‘Operação Big Hero 6’ conta a história de Hiro, um garoto que vive com sua tia e seu irmão, Tadashi. Seus pais morreram quando ele tinha 3 anos de idade e se diverte com lutas ilegais de robôs (muito parecidas com as brigas de galo no Brasil). Ambos são apaixonados por robótica e tecnologia em geral e Tadashi leva Hiro ao laboratório onde trabalha. Lá, conhece o professor Callahan e os amigos nerds do irmão. E também descobre que Tadashi desenvolveu um projeto de um “robô-médico chamado Baymax. Logo, Hiro se apaixona pela coisa e almeja estudar na mesma escola, mas precisa desenvolver um projeto para isso. Logo ele desenvolve algo inovador, os microbôs, que são minúsculos, mas que podem ser o futuro. Após um acontecimento (quem não viu o filme é melhor não saber o que é, mesmo!), Hiro se junta a Baymax e ao grupo de amigos nerds para formar uma liga de super heróis para destruir os interesses e ganância de seu vilão (que também é bom não saber quem é!).

            Quem acompanhou os bastidores de ‘Operação Big Hero 6’, viu o quanto trabalhoso foi para fazê-lo. No arco em que Tadashi mostra a escola a seu irmão, há muita informação técnica sobre robótica, química e física. Mas isso atrapalha o conhecimento e apreciação do público infantil? Não, muito pelo contrário. Com tanta coisa descartável por aí, é algo mágico quando temos um produto que a criançada se diverte e aprende. Tanto as animações para o cinema como para a TV sofrem desse déficit e também os programas infantis (deu uma saudade do Castelo Rá-Tim-Bum agora!).

            Houve muito trabalho de pesquisa para o roteiro não dar informações equivocadas e muitas homenagens com a nossa vida real: a cidade onde tudo ocorre, San Fransokyo, é uma clara referência a duas cidades: São Francisco, no Oeste dos EUA e Tóquio, capital do Japão, em homenagem à tecnologia japonesa. E o projeto dos microbôs existe sim e está em fase de pesquisa em universidades americanas.

            Mas não é só o público nerd que irá apreciar ‘Operação Big Hero 6’, o público em geral também: é fácil se identificar com o protagonista Hiro: órfão de pai e mãe e vive isolado em seu mundo. Da metade para o final, a história fala, também, de corrupção e interesses, mas o fator principal que esse filme deva agradar a gregos e troianos está em seu “mascote”, o delicioso robô Baymax.

            Os realizadores estavam inspiradíssimos quando o fizeram, seja em seus trejeitos como nas informações médicas (seria o fim das consultas?). Baymax tem um coração enorme e é o principal parceiro de Hiro. Seu jeito atrapalhado e inocente serve como alívio cômico e alívio sentimental para a história, no caso, sentimento entre amigos.

            Quem não se apaixonar pelos momentos dos dois juntos, pode procurar um hospital.

            O visual de ‘Operação Big Hero 6’ é sublime e merece ser visto na melhor tela possível, bem como sua tecnologia 3D arrebatadora, em especial nas cenas de ação.

            Como todo filme da Marvel, há uma cena pós-créditos. Portanto, não saia do filme antes de encerrar os créditos, pois a cena complementa o espírito do filme que terminaria.
            E também como toda e legítima animação da Disney, antes do início do filme, temos um curta animado. A bola da vez é com o irresistível curta ‘O Banquete’, dirigido pelo próprio Lasseter, sobre um cachorro, seus donos e muita comida.

            De uma coisa tenho certeza: ‘Operação Big Hero 6’ será lembrado para as próximas gerações como um clássico e pode representar uma nova onda no cinema, a de unir super-heróis e animação. ‘Os Incríveis’ fez isso muito bem há uma década, mas agora isso pode se consolidar com esse filme aqui.

            ‘Operação Big Hero 6’ é absolutamente perfeito.
           

Nota: 10,0

Imagens:












Trailer:


Êxodo - Deuses e Reis


Êxodo – Deuses e Reis (Exodus – Gods and Kings)

Direção: Ridley Scott

Ano de produção: 2014

Com: Christian Bale, Joel Edgerton, María Valverde, Ben Kingsley, Aaron Paul, John Turturro, Sigourney Weaver.

Gênero: Épico

Classificação Etária: 14 Anos


Êxodo é religião sem alma e ação que não empolga

            Não tem jeito: quando algo dá certo em Hollywood, logo a indústria aproveita o mercado e explora o que tem ao máximo. No momento atual, estamos na onda das superproduções bíblicas. Logo no início do ano tivemos o desastroso ‘Pompéia’, que foi um fracasso de público e crítica e que os idealizadores pretendem esquecer. Depois teve o contestado ‘Noé’, mas que tem muitas qualidades, um grande elenco e foi um grande sucesso. Aqui no Brasil se tornou a 3ª maior bilheteria do ano. E no segundo semestre tivemos a ação ‘Hércules’, que tem como qualidade única o astro The Rock no papel principal.

            E agora, propositalmente perto do final do ano, temos a superprodução ‘Êxodo – Deuses e Reis’. É um legítimo blockbuster hollywoodiano, com um diretor e elenco de peso, além de um grande estúdio como a Fox.

            ‘Êxodo – Deuses e Reis’ é dirigido pelo grande Ridley Scott. A história do cinema deve muito a esse sujeito, com títulos no currículo como ‘Alien – o 8º passageiro’, ‘Blade Runner – O caçador de andróides’ e ‘Gladiador’. Este último, aliás, também uma produção com viés histórico e grandioso.

            Sendo assim fica difícil tentar adivinhar o porquê de ‘Êxodo – Deuses e Reis’ ser um filme tão fraco.

            Segundo o Antigo Testamento, o profeta Moisés (vivido por Christian Bale) nasceu entre os hebreus e recebeu a ordem de Deus para ir ao Egito e libertar seu povo da opressão.

            Não é somente pelo fato de distorcer a História que ‘Êxodo – Deuses e Reis’ não acerte. É um dos motivos, com certeza. Se toda e qualquer adaptação deve ser fiel àquilo em questão, ela tem a obrigação de respeitar a obra original, e no caso da bíblia não é diferente.

            À exceção dos nomes dos personagens e do local, praticamente em cena alguma o filme entrega que se trata de algo religioso. Nem a famosa cena do Mar Vermelho se abrindo foi colocado lá. E olha que recurso teve – e muito.

            Um filme feito a quase 60 anos, ‘Os 10 mandamentos’ é muito mais bem feito e funciona como estudo da História e exercício de reflexão.

             Mesmo a animação da DreamWorks, ‘O Príncipe do Egito’, que não deu muito certo no mercado (mas deveria!) funciona mais.

            O estúdio tem a sua culpa, claro, em querer fazer um filme de produtor e desrespeitar seu público, sobretudo no 3D mal feito (e sem profundidade) e a computação das mais artificiais dos últimos anos. Daqui a uns 10, 20 anos, o público olhará para ‘Êxodo – Deuses e Reis’ e verá com sarcasmo e arcaico.

            O filme explora mais a rivalidade entre Moisés e o rei Ramsés (Joel Edgerton, o carrasco de ‘A hora mais escura’), seu irmão, que logo se torna seu rival. Ele é o único personagem que parece à vontade, sua cara de brucutu faz com que seu vilão convença e se torne ameaçador. O restante do elenco é um desastre, começando pelo próprio Christian Bale, que não faz um papel à altura de seu personagem. Não se sabe se a culpa é dele próprio, do Ridley Scott ou dos produtores, mas a escolha deu muito errado. Até mesmo atores tão consagrados como Ben Kingsley e Sigourney Weaver (a nossa Ripley de Alien que, olha só, é dirigido por Scott) têm seu talento desperdiçado, mas nada se compara a Séfora, esposa de Moisés. Primeiro, os dois não têm química alguma. Segundo que María Valverde é uma péssima atriz, que até merece uma indicação à Framboesa de Ouro. E o que estão fazendo com a carreira de Aaron Paul? Depois de ele brilhar como Jesse em Breaking Bad ele agora se aventura em papéis de gosto duvidosos. No início do ano teve aquela bomba que foi ‘Need for Speed’ e agora este daqui. Bom ator todos nós sabemos que ele é. Talvez ele deva mudar de agente.

            Ridley Scott parece que perdeu a mão de dirigir um longa. Seu último trabalho foi a decepção que foi ‘Prometheus’ em 2012. E agora ‘Êxodo – Deuses e Reis’. Todo ciclo se fecha e, talvez o de Scott seja não mais dirigir qualquer coisa.


Nota: 3,0


Imagens:











Trailer:


terça-feira, 16 de dezembro de 2014

O Hobbit: A batalha dos cinco exércitos


O Hobbit – A Batalha dos Cinco Exércitos (The Hobbit: The Battle of the Five Armies)

Direção: Peter Jackson

Ano de produção: 2014

Com: Martin Freeman, Richard Armitage, Ian McKellen, Luke Evans, Evangeline Lilly, Orlando Bloom, Lee Pace, Benedict Cumberbatch, Ken Stott, Cate Blanchett, Ian Holm, Hugo Weaving.

Gênero: Aventura

Classificação Etária: 12 Anos


Último filme da saga é o retrato da trilogia desnecessária

            Já no terceiro filme, pode parecer inútil a discussão da necessidade de Peter Jackson fazer ou não uma trilogia para um livro tão pequeno e fechado quanto O Hobbit. Na verdade, é justamente por isso que o debate é válido: se alguém tinha alguma dúvida se valeu a pena ou não, ela é tirada neste filme aqui. E já começa com um gravíssimo problema de edição: o prólogo do filme, arrebatador, diga-se de passagem, é o que deveria ser o final de ‘A desolação de Smaug’, pois aquele final incompleto do filme anterior poderia ser concluído aqui, para depois mostrar o foco de ‘A Batalha dos Cinco Exércitos’, que é a batalha em si: homens, anões e elfos lutando contra um inimigo em comum, mas tendo que lidar com algo maior do que isso: seus próprios egos.

            Se o filme fosse focado nisso, o resultado seria melhor do que o apresentado, mas terminou com uma colcha de retalhos em que praticamente não há envolvimento com os grandes personagens – alguns até que o próprio Jackson criou.

            Se a trilogia do Anel inovou com sua narrativa perfeita e uma nova forma de se criar grandes batalhas, aqui Peter Jackson colocou os 48 frames por segundo, dando uma idéia maior de profundidade em detrimento aos atuais 24. E o resultado é muito bonito. Tem-se a impressão de estar em um grande videogame e, logo no início, a guerra é quase documental. E mesmo a batalha do título (que dura cerca de 45 minutos) é bem feita. Se não for indicado a Efeitos Visuais, é marmelada.

            O problema é que Peter Jackson, infelizmente, ficou megalomaníaco: se ele ousou em colocar um livro que era dito como “infilmável” como ‘O Senhor dos Anéis’, criou uma legião de fãs e, de quebra, calou a boca daqueles que torciam contra, aqui há muita estética para pouca coisa. E se havia sentimento e empatia com os personagens e a história, ela vai se perdendo conforme o filme vai passando.

            Mesmo com essa trilogia havia uma empatia: em ‘Uma Jornada Inesperada’ há um sentimento de nostalgia e, mesmo arrastado, tínhamos uma história fechada e focada no grupo de anões em busca de ouro. E só isso.

            Em ‘A Desolação de Smaug’, mesmo com o roteiro abrindo espaço para os elfos, ainda havia uma motivação para a platéia se preocupar: o retorno de Legolas (que fez todo o sentido no contexto) e a inserção da elfa Tauriel, que era sim, uma grande personagem vivida pela Evangeline Lilly, que é uma boa atriz, a seqüência de ação dos barris, mais o diálogo espetacular entre Bilbo e o dragão Smaug, tornou o filme mais atraente e parecia que a coisa estava se encaixando (não é exagero nenhum dizer que ‘A desolação de Smaug’ é o melhor da trilogia). E com tudo isso, havia muita expectativa para este aqui.

            A personagem de Tauriel praticamente inexiste por aqui: ela é quase fantoche de Legolas e só ganha uma mínima importância perto do desfecho que não há tensão nenhuma. Nem mesmo seu romance com o anão Kili, que servia até como um alívio cômico no filma anterior, por aqui, é praticamente sem sentimento.

            Por falar em alívio cômico, o personagem de Alfrid, que é o bajulador de Bard, é constrangedor e digno do troféu Framboesa de Ouro: ele é aproveitador e só ganha crédito à custa dos outros e não há uma só frase dele que não seja para fazer piada sem graça.

            Um arco da história que deveria ser o centro era entre Bilbo e Thorin – Escudo-de-Carvalho. Bilbo que, aliás, de protagonista no primeiro filme agora é um coadjuvante de luxo. Nem mesmo o ótimo ator que é Martin Freeman, parecia à vontade no papel. E Thorin, que aqui deveria ter um destaque maior, é movido pela ambição e poder. A “rivalidade” entre os dois é praticamente só citada e pouco aprofundada, infelizmente.

            E não tem jeito: Peter Jackson não consegue se distanciar de ‘O Senhor dos Anéis’, seja na música ou pelos personagens. A intenção foi uma mistura de pressão da Warner, satisfação pessoal e agradar os fãs da Terra-Média.

            Na verdade, nem ele queria dirigir essa trilogia, essa seria uma missão para Guilhermo Del Toro (de ‘Círculo de Fogo’), mas ele acabou assumindo.

Queremos uma obra com o coração e a alma de Peter Jackson, sem precisar cair na nostalgia do Anel.


Nota: 7,0

Imagens:












Trailer:

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Os Homens são de Marte... E é para lá que eu vou


Os Homens são de Marte... E é para lá que eu vou

Direção: Marcus Baldini

Ano de produção: 2014

Com: Mônica Martelli, Daniele Valente, Paulo Gustavo, Marcos Palmeira, Eduardo Moscovis, Humberto Martins, Irene Ravache, Júlia Rabelo.

Gênero: Comédia

Classificação Etária: 14 Anos


Comédia nacional tenta divertir, mas coloca um tema perigoso

            Com tantas comédias passageiras no cinema brasileiro nos últimos anos – e a grande maioria é de gosto duvidoso – estou só esperando o momento de o público e o mercado saturarem do gênero e finalmente produzir grandes filmes que o nosso cinema sabe fazer muito bem.

            Não que fazer filme para divertir o público seja algo abominável. Muito pelo contrário, o cinema é uma arte e, como tal, deve entreter seu povo, mas deve haver um mínimo de inteligência e coerência. Mais do que isso, considerando que o Brasil é um país que consome muito conteúdo das novelas como entretenimento (pois é!), os executivos viram que podem levar esse público da tv ao cinema. E conseguiram. Esse tipo de filme é uma mina de ouro para o mercado nacional, o que são devemos ir contra – se o dinheiro entra, mais e mais filmes são feitos e o cinema brasileiro só tende a crescer. Já tivemos uma crise, no início dos anos 1990 e as lembranças não são muito boas.

            E agora, não é só a TV que está influenciando o cinema, mas o teatro também: tivemos o fraco ‘Qualquer gato vira-lata’ em 2011 e, no ano passado, o surpreendente ‘Minha mãe é uma peça’.

            E em 2014, mais uma peça de sucesso recebe uma adaptação cinematográfica: ‘Os Homens são de Marte... E é para lá que eu vou’, que ficou em cartaz por 8 anos e também virou um sucesso de bilheteria.

            Na história, Fernanda é uma bem-sucedida organizadora de casamentos, mas é infeliz no amor. Ela tem 39 anos e sonha em encontrar o amor da sua vida, mas não consegue emplacar um relacionamento.

            A intenção do roteiro é fazer uma crônica sobre a mulher atual e independente. Mais do que isso, o roteiro é vendido como um filme para o público feminino. Se o caminho fosse esse, o resultado até poderia ser um pouco melhor, porém, a história esconde mensagens machistas subliminares: Fernanda é uma mulher que não pode viver sem homem e só consegue ser feliz com algum ao seu lado. Ah, e tem que ser rico, pois, segundo algumas situações do filme, a mulher tem que ser sustentada pelo homem. Nos dias de hoje, isso é um ultraje. Lembra muito o filme de Woody Allen, ‘Blue Jasmine’, que deu o Oscar para Cate Blanchett.

            A decepção nesse ponto é que a própria Mônica Martelli é uma das roteiristas e ela poderia dar um toque menos machista para a trama.

            A estrutura do roteiro lembra bastante o estilo inglês de se fazer comédias e a inspiração em Bridget Jones está clara, seja na protagonista atrapalhada e insegura e na narração em primeira pessoa, que deixou a trama mais didática e, infelizmente, quer explicar demais os detalhes.

            Algumas situações podem provocar risos no público, em especial nos encontros frustrados de Mônica, seja com o senador, vivido por Eduardo Moscovis, ou com o alemão que vive na Bahia que é desprovido de bens materiais. Pode ter uma ou outra piada que funcione, mas os momentos são constrangedores e, sim, previsíveis.

            O filme não é um desastre total, tem algumas qualidades. A trilha sonora, que é às vezes brega, faz todo o sentido com a proposta do filme (ainda que boa parte seja focada propositalmente nas músicas do Lulu Santos).

            O elenco está afiadíssimo. Mônica Martelli abraçou sua personagem e transmite o carisma e graça que a personagem precisava, ela não quer aparecer mais do que deveria e faz uma atuação contida e na medida. O elenco de coadjuvantes, bem como as participações especiais, também está cômico (inclusive o próprio Lulu Santos), mas há dois atores que aqui estão até melhores do que a protagonista e funcionam como alívio cômico: Daniele Valente e Paulo Gustavo: Ela faz a melhor amiga de Fernanda, Nathalie, uma aspirante a atriz que tem mais juízo do que sua amiga. As conversas das duas quando algo dá errado são hilariantes. Daniele Valente não teve grandes papéis como atriz, mas sua carreira como comediante tem bons momentos e esse filme pode ser uma porta para uma sorte melhor.

            E eu não poderia encerrar a crítica seu falar desse grande comediante: Paulo Gustavo: é impossível não se lembrar dele aqui como sócio de Mônica e como a mãe super protetora em ‘Minha mãe é uma peça’. E cada situação ambos os personagens soltam alguma piada que sempre funciona e nem sempre é algo que as protagonistas querem ouvir.

            Esse trio, Mônica, Paulo e Daniele, mais um grande elenco de apoio, com nomes como Irene Ravache, Marcos Palmeira e até uma ponta cômica de Júlia Rabelo (de ‘Porta dos Fundos’), como uma vidente, é o que fazem deste filme aqui, no mínimo assistível. Mas é pouco se a história é fraca. E dificilmente será lembrado para os próximos anos.


Nota: 4,0

Imagens:





Trailer:



quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Magia ao Luar


Magia ao Luar (Magic in the Moonlight)

Direção: Woody Allen

Ano de produção: 2014

Com: Colin Firth, Emma Stone, Eileen Atkins, Marcia Gay Harden, Jacki Weaver.

Gênero: Comédia Romântica

Classificação Etária: 12 Anos


Allen continua espirituoso e vital

            A força, coragem e vitalidade de Woody Allen são realmente impressionantes. O sujeito tem quase 80 anos e mais de 50 filmes – mas ainda quer mais. Ele mantém a média de realizar um filme por ano, jamais fez um filme ruim, existem alguns médios ou “normais”, é verdade, mas dificilmente decepciona. Ao contrário, volta e meia surge algum filmaço candidato a clássico e que impressiona. Na última década foram 3 casos: o sensacional ‘Match Point’, que trazia Allen à sua melhor forma em anos e foi uma completa mudança de hábito em sua carreira: de cômico não tinha nada, era um suspense com a cara de Hitchcock, além da mudança de cenário: até àquele momento, Allen sempre havia trabalhado em sua cidade natal, Nova York, mas ele, a partir daí, resolveu fazer uma “turnê” pela Europa, começando por Londres, no caso de Match Point. O resultado foi um tremendo sucesso de público e crítica, mas absurdamente, uma única indicação ao Oscar de Roteiro Original.

            Em 2008, tivemos ‘Vicky Cristina Barcelona’, que se passava na Espanha e, este sim, uma comédia e um filme absolutamente delicioso de se ver, além do maravilhoso e afiado elenco, que rendeu o merecido Oscar de Atriz Coadjuvante para Penélope Cruz. Três anos depois, em 2011, Woody Allen viaja para a França e realiza uma grande obra de arte e dos seus melhores filmes – senão o melhor – ‘Meia-noite em Paris’, que, além de mágico e brilhante, ainda mexeu com a nossa nostalgia e promoveu o debate: porque temos o costume de achar que tudo o que é antigo é melhor? Acabou sendo seu filme mais comentado, exaustivamente elogiado, acabou sendo sua maior bilheteria da carreira (e olha que Woody Allen não costuma levar tanta gente ao cinema), além de faturar o Oscar de Roteiro Original.

            E agora, em 2014, Allen viaja à Berlin, mas também ao sul da França em seu novo projeto: ‘Magia ao Luar’, agora com sua nova musa, Emma Stone (a Gwen Stacy de ‘O Espetacular Homem-Aranha’ 1 e 2), “cargo” que já foi de Diane Keaton, Mia Farrow e Scarlett Johansson.

            ‘Magia ao Luar’ conta a história de Stanley (Colin Firth, agora já oscarizado por ‘O Discurso do Rei’), um ilusionista brilhante e competente, porém, arrogante e ranzinza, que é cético ao extremo, só acredita no que vê e trabalha, também, para desmascarar quem MEXE com o espiritual para ganhar dinheiro, espíritas e médiuns. Sua próxima missão é desmascarar a médium Sophie, vivida por uma Emma Stone inspirada. Porém, Sophie começa a provar que seu talento é genuíno e até Stanley fica surpreendido, passando a acreditar que existe sim, um mundo espiritual além do material. E não demora muito para que essas duas pessoas extremas se apaixonem.

            Logo com poucos minutos de projeção, percebe-se que ‘Magia ao Luar’ é um filme de Woody Allen. A sensacional e clássica trilha sonora que embala já na abertura, mas o principal são os belos cenários que praticamente são parte do roteiro. As paisagens do sul da França são quase poéticas.

            Outra característica marcante está em seu protagonista: na grande maioria das vezes, Allen coloca seu próprio alter ego em cena, geralmente um personagem atrapalhado e inseguro. Neste caso não é diferente, Stanley é tudo isso além de ser frio e calculista. Colin Firth faz muito bem o seu papel exatamente por não querer imitar seu mestre e fazer sim, um personagem com a sua cara. Quase nos esquecemos que estamos vendo um ator que só faz papel de mocinho. Tivemos também Michael Caine em ‘Hannah e suas Irmãs’, papel que lhe rendeu o Oscar, que não quis imitar Allen, mas, muitos atores o faz, sobretudo nos filmes considerados medianos do diretor.

            Dentro de seus roteiros, sempre há aquele momento da virada que surpreende o espectador e torna as histórias de Allen especiais. Foi assim em todos os seus grandes filmes. Aqui não é diferente, embora essa reviravolta dure pouco tempo e não seja tão surpreendente, ela funciona.

             O problema é que, em 95% do filme, há muito de mais do mesmo: com personagens desajustados (e nem sempre carismáticos), como Brice, que é apaixonado por Sophie e quase sempre toca uma serenata para ela. Além disso, o foco no romance, embora tenha muita química entre o casal principal, torna ‘Magia ao Luar’ um filme comum e não memorável.

            Apesar disso, a magia (sem trocadilhos!) do filme não pode ser ignorada: Woody Allen faz uma crítica ao ser humano que é tão racional e esquece que o melhor da vida está nos detalhes e nas pequenas coisas: é muito bom se deixar levar, a vida é uma só e não devemos analisá-la demais, pois há muita beleza no mundo para viver de amargura e raiva. E, no caso do nosso protagonista, descer ao degrau da humildade faz muito bem à saúde – e ao coração.


Nota: 8,0

Imagens:












Trailer: