segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Scandal - 4ª Temporada



Criada por: Shonda Rhimes

2014

Com: Kerry Washington, Tony Goldwyn, Guillermo Diaz, Katie Lowes, Darby Stanchfield, Jeff Perry, Joshua Malina, Bellamy Young, Portia de Rossi, Joe Morton.

Drama

14 Anos


O 4° ano foi positivo – pena que teve muita reviravolta

            Alguns críticos costumam se referir a “séries de tv aberta” de forma pejorativa. É certo que as séries de TV fechada, como as do canal Showtime, HBO, e até da Netflix, têm um cuidado maior, com menos episódios e menos preocupadas com a audiência. O problema das séries dos canais abertos americanos, como ABC e CW, é que há a pressão dos executivos em estender uma série quando ela dá certo e daí os roteiristas têm a obrigação de inventar histórias e preencher o espaço de mais de 20 episódios.

            Mas daí discriminar as séries abertas é um absurdo. Basta se lembrar que Lost, 24 Horas, dentre muitas outras, eram séries sim, de TV aberta. Não há nada de errado no formato de muitos episódios, se a história é bem contada e os episódios fizerem sentido na trama, não há problema.

            O problema, na verdade, é o que ocorre em parte das séries atuais: a série tem muitas reviravoltas e a história tenta encontrar razão para se prolongar. E esse, infelizmente, foi o problema dessa nova temporada de Scandal.

            Scandal é uma série criada por Shonda Rhimes (de Grey’s Anatomy) e que foi aclamada por público e crítica, sobretudo por sua trama política, instigante e dinâmica.

            É um ponto de vista diferente de outras séries políticas da atualidade, como House of Cards e Homeland e entender que Scandal é diferente é o primeiro passo para apreciá-la.

            Alguns comentários na internet sugerem que “Scandal é ruim porque House of Cards é melhor”. House of Cards é muito melhor do que Scandal. Ponto. Tanto como política, como roteiro e personagens, mas jamais devemos diminuir Scandal por conta disso.

            A série foca em uma equipe liderada por Olivia Pope (feita brilhantemente por Kerry Washington), que tem como função limpar escândalos políticos para a imprensa e a opinião pública e além das metáforas políticas, Scandal ainda investe de forma eficiente no drama de cada um dos personagens e todos eles têm um passado e presente sombrio e brilhante, contados em flashbacks ou em algumas pistas que o roteiro deixa.

            Essa é a 4ª temporada e é, de longe, a que teve mais reviravoltas e a que menos justifica os 22 episódios. A primeira temporada teve apenas 7 episódios, justamente porque ninguém sabia se a idéia daria certo. Com o resultado positivo, a 2ª teve 22 episódios, o que não foi um problema, já que abordou de forma mais aberta os acontecimentos do primeiro ano e pudemos conhecer melhor os personagens. E não por isso, a 2ª temporada é a melhor até o momento. A 3ª temporada teve apenas 18 episódios por conta da gravidez de Kerry Washington e também manteve o dinamismo das temporadas anteriores e seu desfecho foi tão impactante que gerou muita expectativa para essa 4ª temporada.

            O 4° ano de Scandal conta com os mesmos 22 episódios da 2ª temporada, com a diferença que era uma história fechada e, infelizmente, há muitas reviravoltas ao longo da temporada e nem todas fazem sentido – sem contar que a Season Finale acontece tão rápido que nem dá tempo de se envolver com os personagens – sem contar que os acontecimentos abriram espaço para mais 5 ou 6 temporadas.

            É o que muita gente reclama de Grey’s Anatomy. A principal criação de Shonda já está em seu 12° ano (com mais de 22 episódios cada uma!) e teve tanta reviravolta, tantas mudanças, que agora somente aqueles fãs mais fiéis estão acompanhando-a. Houve mudanças em Scandal, mas a diferença é que aqui a Shonda as fazia direito. É muito bom uma série mudar e são as mudanças que a fazem ser atraente, mas ela não deve ser desculpa para falta de idéias, e sim, uma alteração natural da história.

            A 4ª temporada começa 2 meses após os acontecimentos da 3ª, na qual o presidente Fitz Grant é reeleito e Olivia e seu affair, Jake, viajam para umas férias e a equipe de Gladiadores (como é chamada a equipe de Olivia) é desfeita e cada um foi para um canto diferente: Huck se torna técnico em eletrônica e Abby se torna porta-voz da Casa Branca.

            Houve duas perdas importantes no final da temporada passada: Rowan Pope (pai de Olivia e líder do grupo terrorista secreto B-613) assassinou o filho do presidente e também Harrison, um dos gladiadores. E é justamente a morte de Harrison que faz Olivia voltar, que consegue reunir Quinn e Huck para a equipe (mas Abby continua na Casa Branca) e continuar com seu trabalho de cobrir escândalos, lidar com o pai corrupto e com a sua atração pelo presidente Grant.

            Essa temporada tem a inserção de uma personagem nova: Elizabeth North, vivida por Portia de Rossi, que de início tem intenções duvidosas na Casa Branca (inclusive forjando um acontecimento importante com Olivia no 10° episódio) mas se mostra uma assessora parlamentar exemplar.

            David Rosen (ex-affair de Abby) é nomeado Procurador-Geral da República e assim como Elizabeth também começa com intenções duvidosas, mas depois joga no time dos Gladiadores ao longo da temporada, sobretudo nos episódios finais.

            Dois personagens importantes ganham mais visibilidade nessa temporada: Mellie Grant, a primeira-dama, que se mostra mais ambiciosa e atraente do que sua personagem sem carisma do passado. E Cyrus, assessor do presidente, na qual sua opção sexual já havia sido citada, mas agora ganha tons mais dramáticos e com direito a um flashback interessante sobre seu passado tentando esconder seus sentimentos.

            Essa temporada pode ser a mais fraca, mas jamais é ruim: há uma cena no final do episódio 9 vista sob pontos de vista diferentes (alguém se lembrou de Tarantino?) e uma discussão sobre o racismo nos EUA no episódio 14, embora esse ano tenha caído no grave problema do “caso da semana” e temos poucos episódios contínuos, ou um grande filme de vários episódios, como a Netflix faz muito bem.

            Mas embora Scandal tenha essa trama política, o que fez a série de tornar popular e premiada foi um diferencial importante: Kerry Washington. Além de linda e ótima atriz, sua Olivia está sempre à frente de todos e não há um personagem sequer que não esteja ligado a ela – de forma direta ou indireta.

            Não por isso, se tornou a 1ª atriz negra a ser indicada a Melhor Atriz no Emmy por este papel e ela se tornou das celebridades mais influentes do mundo – e inspiração para muita gente.

            Por causa do final insosso dessa temporada, a expectativa para a 5ª está muito baixa e ficou o receio de a série de estender e se prolongar demais desnecessariamente. Mais do que isso: tomara que a série não perca o tom político e não se torne mais um novelão americano.

Nota: 7,0

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terça-feira, 8 de setembro de 2015

Magnífica 70 - 1ª Temporada


Magnífica 70 – 1ª temporada

Criada por: Cláudio Torres, Renato Fagundes, Leandro Assis

2015

Com: Marcos Winter, Simone Spoladore, Adriano Garib, Paulo Cesar Pereio, Maria Luisa Mendonça, Stepan Nercessian, Juliana Galdino, Leandro Firmino, Julia Ianina, Joana Fomm.

Drama

16 Anos


Magnífica 70 é brilhante e reacende o debate sobre intervenção militar

            Existem grandes filmes nacionais sobre o período de ditadura militar, cada um à sua maneira representou de forma honesta e imparcial o período, são eles: ‘O Que É Isso, Companheiro?’ (que foi indicado ao Oscar de Filme Estrangeiro em 1998), ‘Lamarca’, ‘Ação Entre Amigos’ ‘Cabra Marcado Para Morrer’, dentre muitos outros. Mas a TV ainda fica devendo quando se trata do período. Em 1992 tivemos a série ‘Anos Rebeldes’, que foi muito boa, tinha um elenco extraordinário, mas continha todas as limitações que a TV aberta exige. Faltava um produto genuinamente brasileiro para falar disso na televisão.

            Mas, nada como um canal que não tem medo de ousar e nem das opiniões contrárias para nos agraciar. A HBO é conhecida por isso, em se arriscar em superproduções, não se preocupar com o politicamente correto e dar mais liberdade aos seus autores.

            Como diz no slogan: “não é TV, é HBO”.

            Isso não é propaganda de graça para o canal, basta ver que eles são responsáveis por séries como ‘Game of Thrones’, ‘True Detective’ ‘Masters of Sex’ e ‘O Negócio’ atualmente. E historicamente temos ‘Família Soprano’, ‘Mad Men’, ‘Band of Brothers’, dentre muitas outras.

            E em 2015 foi lançada uma série brasileira que retrata o período militar, sobretudo na que diz à censura prévia: Magnífica 70 não é só a melhor série brasileira em anos, mas é uma prova que o Brasil pode fazer uma produção tão boa – ou melhor – do que as séries americanas e britânicas. E se tiver em boas mãos, pode pegar as limitações de orçamento e transformar em algo poderoso.

            Tudo isso é fruto das direções brilhantes de Claudio Torres e Carolina Jabor, que intercalam a direção dos episódios.

            É uma série da HBO e obviamente não tem o mesmo orçamento de Game of Thrones, por exemplo, mas é uma bela reconstituição de época, com uma trama poderosa e sem medo de ser ousada. Muito ao contrário do que a TV aberta está fazendo hoje em dia, na qual a nudez e o sexo são gratuitos e funcionam mais para audiência, aqui ela é representativa pela trama de repressão.

            Na história, temos Vicente (Marcos Winter, brilhante!) que trabalha como sensor em São Paulo e todas as produções de audiovisual devem passar por ele, na qual ele avalia se a obra pode passar na íntegra, fazer alguns cortes ou simplesmente proibi-la.

            Em um dia corriqueiro de trabalho ele proíbe um filme da Boca do Lixo, dirigido por Manolo (Adriano Garib, sempre ótimo!) em que uma estudante de um convento é reprimida por suas vontades sexuais e nesse contexto Manolo e sua protagonista Dora Dumar (Simone Spoladore, no melhor papel da sua carreira) vão lá reclamar e questionar o porquê da censura. Quando Vicente vê os dois conversando sobre o enorme trabalho de se fazer um filme, ele decide que algumas cenas devem ser refeitas. Acontece que o próprio Vicente dirige o que deve ser feito e com o sucesso de sua direção, ele é chamado para uma nova dirigir um novo filme da chamada Boca do Lixo.           

            Magnífica 70 não é apenas brilhante por tratar de um período delicado da história brasileira, nem só por seu roteiro inteligentíssimo, mas também porque é um grande retrato sobre como funciona a produção de um filme no Brasil, com toda a burocracia e falta de vontade dos investidores, mas, sobretudo, no tratamento dos personagens. Todos têm segredos, cada um esconde algo e quanto mais se descobre, mais fascinante o personagem fica. Ninguém é exatamente mocinho e ninguém é exatamente vilão. Todos têm motivações de forma direta ou indireta com a censura e a produção do filme, que recebeu o nome de “Minha Cunhada é de Morte”.

            Vicente tem que lidar com a pressão de avaliar os filmes com rigor, a pressão do casamento com Isabel (papel de Maria Luisa Mendonça) e a pressão de dirigir o filme. E nenhuma das duas partes pode saber da outra, ou seja, ele dirige o filme na Boca do Lixo em segredo e mantém seu trabalho como sensor.

            E para piorar, depois descobrimos que seu sogro (pai de Isabel) é um general do exército, o General Souto e seu casamento foi arranjado, já que ele não sente atração nenhuma por Isabel (mas ela sente por ele), sua obsessão era da irmã de Isabel, Ângela, mas depois ele começa a sentir atração por Dora.

            Já Dora, que na verdade se chama Vera, é uma ladra, seu irmão tem uma dívida com um criminoso, mas ela segue seu sonho de ser atriz. A série deixa dúvida o tempo todo se ela está lá para roubar o dinheiro do cinema ou se o seu sonho de atuar é verdadeiro.

            Já Manolo é um ex-caminhoneiro que entrou no mundo do cinema muito por acaso, mas agora é sua fonte de renda e um produtor lucrativo da Boca do Lixo.

            Para quem não sabe, a Boca no Lixo fica na região central de São Paulo (onde ficava a cracolândia) e era um lugar de produções baratas de cunho sexual – era a chamada pornochanchada.

            Por se tratar de uma homenagem também ao cinema, as referências à 7ª arte estão nas produções da época que eram proibidas, como ‘O Último Tango em Paris’, referências a Clint Eastwood (no personagem “Flint Westwood”) e a ‘O Encouraçado Potemkim’ (visto como subversivo na época). Mas a melhor referência fica com Laranja Macânica, de Stanley Kubrick:

            Hoje em dia não existe lista dos melhores filmes da história sem Laranja Mecânica, mas na época era visto também como subversivo, foi proibido no Brasil, sendo liberado apenas em 1978 e com uma tarja preta para cobrir um pêlos pubianos, sendo liberado na íntegra somente anos depois. Vicente entrega para um dos funcionários da filmagem que já viu Laranja Mecânica e sua música é tocada constantemente, sobretudo na produção de “Minha Cunhada é de Morte”.

            Magnífica 70 trata o regime militar de forma imparcial, o foco está mais na censura das produções, que se tornou mais agressiva conforme o regime se intensificava e tudo tinha que respeitar “a moral e os bons costumes”.

            A repressão é mais representativa na figura do General Souto, que sim, defende a moral citada acima, está na caça aos comunistas e em um dos discursos diz que a mulher deve ser submissa ao homem. E embora ele seja quem mais se aproxima de um vilão, também se torna um personagem mais fascinante conforme a série vai passando, sobretudo quando descobrimos seus segredos.

            Magnífica 70 já foi renovada para a segunda temporada. O que é muito bom pois não faltam são assuntos para retratar o período e antes que algum infeliz diz que “isso já passou”, é importante conhecer o passado para entender o presente e considerando que muita gente hoje pede a volta do regime, é importante ver como a cultura e a sociedade funcionava na época.

E tem mais: assim como o nazismo e a 2ª Guerra Mundial, são períodos que merecem e devem ser lembrados para servirem de exemplo àqueles de memória curta. Ou àqueles que dizem que aquela era uma “época boa”.

Nota: 10,0

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Scream - 1ª Temporada



Criada por: Dan Dworkin e Jay Beattie

2015

Com: Willa Fitzgerald, Bex Taylor-Klaus, John Karna, Connor Weil, Carlson Young, Tracy Middendorf, Bella Thorne.

Terror

16 Anos


Uma bela surpresa da temporada

            A desconfiança com a série Scream era grande, afinal, a produção é da MTV americana, que não tem lá muita tradição com séries de qualidade – Jackass e Teen Wolf é deles, por exemplo, o elenco é praticamente desconhecido e com tantos rostos bonitos parecia uma idéia de ‘Malhação’. Isso sem contar que a nova onda das séries de TV é adaptar filmes de sucesso e dissertar mais sobre os temas. Na maioria dos casos, em se tratando de séries de 12, 13 episódios, funcionam quase como um grande filme, ou seja, com episódios contínuos e sem a necessidade do “gancho” para a semana seguinte.

            E como era adaptação da franquia Pânico, a comoção era grande após a morte do criador dos filmes: Wes Craven, aliás, no início da Season Finale há uma homenagem rápida para Wes.

            Mas, para a nossa grande surpresa, Scream é uma série espetacular, que resgata o espírito da trilogia (sobretudo do primeiro filme) e coloca tudo para os novos tempos, agora com a galera com seus smartphones e conectada nas redes sociais. E o melhor da série é que embora tenha o espírito de nostalgia, ela independe dos filmes e mesmo quem não conhece nada, pode ver tranquilamente.

            Se no primeiro filme havia referências aos clássicos de terror e no segundo para as continuações, aqui temos referências para tudo o que está no auge na cultura pop: Game of Thrones, The Walking Dead, Exterminador do Futuro, dentre várias outras coisas, sobretudo no personagem de Noah, que é a representação do nerd que é fã de séries, de games e, no caso da trama, sabe tudo sobre a estrutura de um filme de terror. Quem o faz é o ator John Karna, que assim como a maioria do elenco, é pouco conhecido. E todo mundo está bem em seu papel:

            Willa Fitzgerald, que faz a protagonista Emma, pode gerar antipatia de início porque todos nós tínhamos muito carinho pela Sidney da Neve Campbell, mas bastam poucos minutos do primeiro episódio para haver um envolvimento emocional entre ela e a platéia, e é justamente por causa da história da sua família que ocorrem as mortes: sua mãe, Daisy (mas que usa o nome de Maggie) no passado era a obsessão de Brandon James, que revoltado por não ter conseguido ficar com o amor da sua vida, matou uma série de pessoas até ser morto pela polícia em 1994. O assassino misterioso quer vingar tudo isso e aterroriza a vida de Emma.

            Audrey é a típica “esquisita” e tem um caso com sua amiga, Rachel sofreu bullying no passado porque Emma e Nina (falaremos melhor dela mais tarde) colocaram um vídeo na internet das duas se beijando e Audrey é hostilizada até os dias de hoje, mas Audrey e Emma são amigas e a “esquisita” se revela uma personagem muito mais interesssante do que promete ser.

            Brooke é a típica patricinha cheia de vontades, que também não demora muito para ela criar simpatia com o espectador. Ela namora Jake, mas teve um caso com seu professor, sem contar que é a filha do prefeito de Lakewood.

            A história de Scream parte da morte de Nina (em uma referência clara à morte de Drew Barrymore no primeiro filme), e todos se tornam suspeitos e qualquer um pode ser o assassino mascarado. A série vai deixando várias pistas – verdadeiras ou não - ao longo de 10 episódios, e não cansa. Muito pelo contrário, quando termina um episódio dá vontade de ver o outro em seguida.

            Pensando nisso, Scream poderia ser muito bem uma série da Netflix, na qual é um grande filme de 10, 12 horas.

            Não é a toa que muita gente do cinema está indo para a TV, já que esse formato de um filme de grandes horas dá mais tempo de o autor trabalhar, sem cansar o espectador e, dependendo do canal, sem a intervenção do produtor, como vemos muito no cinema.

            Scream não é uma série exatamente autoral: é criada por Dan Dworkin e Jay Beattie (ambos roteiristas de alguns episódios de ‘Revenge’) mas além de ser baseada em um filme dos anos 90, tem o próprio Wes Craven como produtor executivo, além dos grandes Midas do cinema, Bob e Harvey Weinstein, também como produtores.

            Pensando nesses nomes, fica difícil saber se os atores novatos de Scream são bons de fato os se apenas foram bem dirigidos. Mas isso só o tempo vai dizer, no que depender do rumo das suas carreiras

            Scream já foi renovada para a 2ª temporada e que venham mais mistérios, mais crimes, sangue e referências à cultura pop. O saudoso Wes Craven – e nós – fãs, agradecemos.

Nota: 10,0

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terça-feira, 1 de setembro de 2015

Narcos - 1ª Temporada



Criada por: Chris Brancato e Eric Newman

2015

Com: Wagner Moura, Boyd Holbrook, Pedro Pascal, Juan Pablo Raba, Joanna Christie, Stephanie Sigman, Gabriela de la Garza, Manolo Cardona, Ana de La Reguera, André Mattos.

Drama / Biografia

18 Anos


Um “Tropa de Elite” colombiano de 10 horas

            Já não é segredo nenhum que a TV agora tem o efeito contrário do que era há 20, 30 anos: se antes era uma vergonha para as celebridades irem para a TV, pois isto representava uma decadência de carreira, agora é uma renovação e a chance de brilhar em uma nova mídia.

            Esse fenômeno já estava acontecendo com os atores, mas já faz pouco tempo que até diretores respeitados estão indo para a TV: Martin Scorsese, Steven Spielberg, os irmãos Wachowski e agora o brasileiríssimo José Padilha, diretor de Tropa de Elite 1 e 2 e do documentário Ônibus 174.

            Ele bem que tentou seguir o caminho de Walter Salles e Fernando Meirelles e fazer uma carreira em Hollywood com o remake de Robocop no ano passado e embora tenha feito um relativo sucesso, o diretor reclamou muito da pressão dos executivos e que ele não teve liberdade nenhuma para o projeto. Mesmo sendo um bom filme de ação, ficou claro que era um filme de produtor, não do Padilha.

            Mas, nada como voltar às origens e ele fazer o que sabe de melhor: denúncia. E corajosa, sem as máscaras que a imprensa brasileira e mundial tem ao mostrar o sistema como ele é por dentro.

            Se Tropa de Elite 2 foi o auge disso, agora isso é representado de forma mais global.

            Ano passado foi anunciado que uma série da Netflix sobre o Pablo Escobar estava sendo produzida, o que já nos deixou otimistas, já que o canal, assim como a HBO, dá mais liberdade para os autores realizarem suas obras e é possível ousar mais.

            Não estou fazendo propaganda de graça para a Netflix nem para a HBO, mas na grande maioria nos canais existe a preocupação com patrocinadores e audiência, mas considerando que a HBO é uma TV fechada e a Netflix é um serviço de streaming, isso não acontece. E essa ousadia é clara se levarmos em conta uma série como Sense8, que não tem vergonha nem pudor de mostrar quem é e jamais seria exibida em um canal aberto.

            E não temos somente José Padilha de brasileiro em Narcos, mas também temos o nosso Capitão Nascimento, Wagner Moura como Pablo Escobar, o diretor de Fotografia é Lula Carvalho, que já trabalhou com Padilha em Tropa 1 e 2 e Robocop e o ator André Mattos – que fez Tropa de Elite 2. E também temos Fernando Coimbra, diretor de O Lobo Atrás da Porta (que também tem Lula Carvalho na fotografia) e dirige o episódio 7 e 8 desta temporada.

            Padilha é o produtor executivo e também dirige os dois primeiros episódios.

            Narcos não é uma história de origem, já começa tendo Pablo como um traficante e como ele se tornou um dos maiores da história e uma lenda.

            Durante os anos 80, ele já era o maior da Colômbia, era temido dentro e fora do seu país, já tentou ser presidente do país (e quase conseguiu, levantando a bandeira de trabalhar para o povo), mas teve o cargo expugnado depois das denúncias de ele ser um traficante de drogas (muito antes de a população em geral saber disso), ficou exilado por um tempo no Panamá, mas seu auge foi na construção de sua “prisão”, que na verdade era uma fortaleza.

            A idéia de prisão surgiu de um acordo entre ele a o governo da Colômbia, na qual a caça a ele estava se intensificando e quanto mais se procurava por ele, mais ele provocava o terror em seu país. Foi nesse período, na segunda metade dos anos 80 que a Colômbia teve a fama que tem até hoje de um cartel de drogas e paraíso para os traficantes.

            Durante esse período, houve guerra civil no país, com atentados terroristas e a morte de todos aqueles que queriam combater Escobar, como Rodrigo Lara, que foi o responsável pela impugnação de Escobar, foi promovido para Embaixador colombiano na Tchecoslováquia, mas foi baleado antes de viajar.

            Outros momentos marcantes foram o atentado em um avião no ar com a intenção fracassada de assassinar o então candidato à presidência Cesar Gaviria. O caso gerou revolta nacional e foi a partir daí que Escobar passou a ser odiado pelo público e mídia. E por falar em mídia, não se deve esquecer os seqüestros de jornalistas importantes, sobretudo de Diana Turbay, que era a porta voz da mídia contra Escobar e acabou sendo morta acidentalmente em uma ação fracassada do exército colombiano, que causou comoção nacional e foi o grande estopim para o então presidente colombiano Cesar Gavíria fazer um acordo para Escobar criar sua fortaleza em troca de paz pelo seu país.

            Diana era filha do ex-presidente colombiano e sua maior rival como jornalista era Valeria Velez, que era a porta voz a favor de Escobar em troca de favores sexuais. E ela era tão ruim quanto Escobar, já que o seqüestro de Diana foi uma sugestão dela.

            Aliás, a série mostra que embora Escobar fosse megalomaníaco, frio e calculista, seu império não seria nada sem os seus capangas, ou sicários, como eram chamados, sobretudo Gustavo, que era seu amigo de infância. Seus sicários já o salvaram da morte e inclusive delataram traidores. Isso pode não parecer, mas é importantíssimo para a História. Grandes ditadores, como Hitler e Stalin, além da ditadura brasileira, só chegaram aonde chegaram porque seus servos eram fiéis como um cão e matariam, literalmente, pelo seu chefe.

            Ao contrário de muita obra do ponto de vista do vilão em que mostra o lado mais humano da figura histórica, aqui Escobar é tratado como um ser mau, sem sutilezas e assassino frio. Em uma das conversas dois de seus sicários questiona se ele é um santo e o outro responde: “claro, ele leva as pessoas ao céu”.

            Quem se lembrar de Tropa de Elite vai saber que os dois filmes eram contados em primeira pessoa, sob o ponto de vista do Capitão Nascimento. Aqui também temos a narração em primeira pessoa, mas do policial do DEA (Drug Enforcement Administration ou Órgão para o Controle/Combate das Drogas dos EUA), Steve Murphy, que passou grande parte de sua vida na captura de Escobar e é tão protagonista quanto Wagner Moura. Quem faz é o ator Boyd Holbrook (de Garota Exemplar’), mas aqui faz seu melhor papel.

            Por falar em grandes papéis, temos que destacar o papel irretocável de Wagner, que é tão bom quanto o seu Capitão Nascimento. Muita gente criticou seu sotaque espanhol e embora a crítica seja válida, não devemos nos esquecer do esforço dele para fazer o melhor possível, seja por ele ter engordado 20 quilos ou por ele ter vivido por 1 ano na Colômbia.

            Embora Escobar seja apresentado como um pai exemplar para seus filhos pequenos e sua mãe sempre a defende e não admite que ninguém fale mal de seu filho. Sua esposa, Tata, também o defende e ele a trata com certo respeito – mas todos sabem que ele a traía com Valeria.

            Mas engana-se quem acha que Narcos seja uma série unicamente sobre Escobar: funciona muito bem como objeto de estudo sobre a Colômbia, com uma fotografia poderosa de Lula Carvalho, tanto representando a série como obra de ficção como as imagens reais de fatos históricos. A série também deixou claro sobre a omissão norte-americana com o tráfico colombiano. O então presidente Ronald Reagan estava preocupado unicamente com a ameaça comunista, enquanto o tráfico de drogas entrava de forma fácil em Miami e Los Angeles.

            Narcos pode ser visto como um grande filme de 10 horas, que é uma marca da Netflix com episódios contínuos, ou como uma série propriamente dita. Não importa. O importante é que ela merece estar entre as melhores do serviço e mostra que não são apenas americanos e ingleses que podem fazer uma série de qualidade, nós, latinos, também. Tanto em idéia como em produção (a abertura é uma obra-prima).

            A segunda temporada ainda não foi oficializada, mas, assim como Sense8, é só uma questão de tempo. E como estamos falando de um canal sem a pressão da audiência e de agradar seus patrocinadores, é compreensível que a próxima temporada só seja anunciada com um roteiro pronto.

Nota: 10,0

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