sábado, 17 de outubro de 2015

Sicario - Terra de Ninguém


Sicario – Terra de Ninguém (Sicario)

Direção: Denis Villeneuve

2015

Com: Emily Blunt, Benicio Del Toro, Josh Brolin, Jon Bernthal

Drama

16 Anos

A guerra sem sutilezas

            O diretor Denis Villeneuve foi descoberto após dirigir o canadense Incêndios, que perdeu o Oscar de Filme Estrangeiro para o dinamarquês Em um Mundo Melhor, mas foi fundamental para sua entrada em Hollywood: em 2013 dirigiu o excelente Os Suspeitos, com Hugh Jackman e Jake Gyllenhaal e no ano passado fez a ótima adaptação do livro de José Saramago, O Homem Duplicado. Todos são ótimos e cada um é ousado à sua maneira, mas não é exagero nenhum dizer que seu trabalho mais ambicioso e o mais recente: Sicario – Terra de Ninguém é uma pequena obra-prima contemporânea e promete ir para as principais categorias no Oscar 2016.

            Na história, uma agente do FBI, Kate Macer (Emily Blunt, que merece estar no Oscar, já que a Academia está em dívida com ela desde ‘A Jovem Rainha Vitória’) trabalha no grupo de antissequestro da instituição, mas é obrigada a acompanhar a missão de derrubar o cartel mexicano de drogas. Kate é uma policial considerada honesta, mas se torna impotente perante a corrupção e a um esquema poderoso. E neste cenário, Kate começa a conviver com os seus demônios pessoais.

            Não é apenas Emily Blunt que faz um bom papel, um destaque é de Benicio Del Toro. Ele já ganhou Oscar por Traffic em 2001 e faz um policial de intensões duvidosas: ao passo que luta contra o tráfico, ele conhece o sistema por dentro e Kate não tem escolha se não confiar nele.

            A falta de confiança de Kate também cai para seu chefe, vivido por Josh Brolin. Foi ele quem recrutou-a para a missão e ao passo que ele faz comentários maldosos pelo fato de Kate ser uma mulher, coloca muita coisa na responsabilidade dela – e não necessariamente ela tem competência para todas.

            A Emily Blunt de Sicario – Terra de Ninguém lembra muito a Maya de A Hora Mais Escura, na qual a mulher deve se provar forte perante uma guerra, ao mesmo tempo que está insegura e sem saber como dar o próximo passo.

            No caso de Kate, sua insegurança é retratada em diversas vezes com a ausência de diálogos e que todas as sensações da personagens se dão pela expressão, o que é muito mérito da atriz.

            Sicario – Terra de Ninguém seria um filme comum nas mãos de um roteirista e diretor qualquer, mas o roteiro de Taylor Sheridan (em sua estreia como roteirista, ele é ator de Veronica Mars e Sons of Anarchy) consegue captar a urgência da guerra e sem estereotipar quem é mocinho e que é vilão, mas ao contrário do que se imagina, ele não tenta humanizar os traficantes: eles são bandidos e ponto. Mas os policiais não são exatamente mocinhos, eles são corruptos e só agem de acordo com seus próprios interesses.

            Outro grande destaque é a trilha sonora de Jóhann Jóhannsson, que às vezes é intensa e às vezes é ausente quando é exigida.

Mas o grande destaque mesmo é a direção eficiente e soberba de Denis Villeneuve. Sua câmera é tensa, jamais cansa o espectador e o faz mergulhar no submundo das drogas e do tráfico de forma intensa, sejam nas tomadas por cima, para dar a impressão de os EUA e México serem um país só, e portanto, iguais em escala de violência e corrupção, nas cenas de tiroteio (com destaque na cena da ponte e na eletrizante meia hora final), na fotografia suja e violenta ou na espetacular cena de abertura, na qual a equipe do FBI liderada por Emily Blunt faz uma missão fracassada de conter um sequestro.

Sicario – Terra de Ninguém não é um produto de entretenimento de Hollywood, quem quer se divertir, deve procurar outra sala de exibição com o clima quase documental e do seu tema, que é do cartel de drogas, se unirmos com a série Narcos, ele se torna quase obrigatório e lançado no ano certo e na hora certa.

Para o público nerd, não deixem de reparar na presença do ator Jon Bernthal como o interesse amoroso de Kate. Ele é o Shane na série The Walking Dead e será o Justiceiro na 2ª temporada da série da Netflix, Demolidor, que estreia ano que vem.

Nota: 10,0

Imagens:







Trailer:


A Colina Escarlate


A Colina Escarlate (Crimson Peak)

Direção: Guillermo Del Toro

2015

Com: Mia Wasikowska, Tom Hiddleston, Jessica Chastain, Charlie Hunnam, Doug Jones.

Terror

16 Anos

Um nerd chamado Del Toro

            O diretor, produtor e roteirista Guillermo Del Toro é fã assumido da cultura pop e faz questão de colocar isso em seus filmes, desde seus primeiros trabalhos nos anos 90 até seu último filme, Círculo de Fogo em 2013, que foi aclamado por público e crítica e o que não faltou na ocasião foram referência à cultura pop, sobretudo à cultura japonesa.

            E seu mais novo trabalho, A Colina Escarlate (e que título espetacular!) tem muito da marca e coração de Guillermo Del Toro: história sombria, personagens dúbios e, claro, referências.

            A Colina Escarlate é um projeto ambicioso e relativamente barato: foram 70 milhões de dólares de orçamento e a grande maioria disso foi na construção da mansão Sharpe, onde quase nada foi computação gráfica e tudo foi feito por detalhes. Somente um diretor do calibre de Del Toro teria a moral de realizar um blockbuster americano e que tivesse um cenário real, sem fundo verde – e sem o estúdio pressionando para cortar gastos.

            E visualmente, A Colina Escarlate é arrebatador: o figurino é incrível, a mansão é um grande personagem do filme (e até melhor do que alguns atores) e uma bela reconstrução da época. Nisso, A Colina Escarlate já surge como possível favorito ao Oscar de Figurino e Design de Produção.

            Na história, dois irmãos ingleses, Thomas (Tom Hiddleston) e Lucille (Jessica Chastain, ótima no papel!) vão até os EUA por negócios e Thomas acaba se apaixonando por uma aspirante a escritora, Edith (Mia Wasikowska), mas um acaso faz com que Edith more junto com o casal de irmãos na mansão. Lá começam a acontecer coisas estranhas e ela começa a questionar se foi uma boa ideia ir para lá.

            Boa parte da crítica falou mal de A Colina Escarlate, sobretudo por dizer que o roteiro era previsível. De fato, o roteiro não é exatamente original. Quase tudo o que há no filme já foi visto em outros filmes, como o amor impossível entre Thomas e Edith, a cunhada megera, e os costumes da época, mas Del Toro (que também escreve o roteiro) faz isso com uma narrativa diferente e coloca um mistério que leva até o fim.

            A discussão que surge quando se vê A Colina Escarlate é se estamos diante de um filme de terror ou romance. Há um pouco dos dois, o romance vira um conto de terror e lembra muito o filme de Francis Ford Coppola, Drácula de Bram Stocker, e vários outros filmes na qual a casa é o personagem, passando pelo clássico de Stanley Kubrick, O Iluminado ao pop A Casa da Colina.

            Mas se o romance é um pouco previsível mesmo (foi o que tirou a nota 10, infelizmente), o mesmo não se pode dizer do excelente terror que toma conta da tela: as câmeras acompanhando as expressões dos personagens, a maquiagem eficiente (que também deve ir ao Oscar) e a trilha sonora soturna fazem com que A Colina Escarlate seja um terror único. E o melhor: as mortes surreais contém uma brutalidade que é raramente vista, desafiando o limite de o que pode e o que não pode e se não fosse um diretor como Del Toro na direção, dificilmente os fãs de terror seriam agraciados com isso.

            A australiana Mia Wasikowska faz uma mocinha eficiente e sombria, que lembra muito seu papel em Segredo de Sangue e só mostra que ela pode fazer qualquer gênero: desde a fantasia de Alice no País das Maravilhas até esse terror. Tom Hiddleston, que é o Loki do Universo Marvel, faz um papel apenas correto e convencional, mas não compromete o resultado final. Mas o melhor personagem é, indiscutivelmente, o da Jessica Chastain, de irmã fria e calculista ela é um segredo a ser descoberto e sua Lucille se torna mais interessante a cada tomada. Na Hollywood de hoje, Jessica é das atrizes mais requisitadas e não é por acaso.

            A Colina Escarlate não é o melhor filme de Guillermo Del Toro (Círculo de Fogo e Labirinto do Fauno são melhores, por exemplo), mas é um alívio que, com tantas adaptações, franquias e histórias de origem desnecessárias, há um sopro de originalidade e de autoria em Hollywood. E no caso da produção de A Colina Escarlate, embora existam grandes cenários de fundo verde, nada substitui um cenário real. E se vier a indicação ao Oscar pelo Design de Produção, pode inspirar outros a seguirem o mesmo caminho.

Nota: 9,0

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sexta-feira, 16 de outubro de 2015

A Travessia


A Travessia (The Walk)

Direção: Robert Zemeckis

2015

Com: Joseph Gordon-Levitt, Ben Kingsley, Charlotte Le Bom, Clément Sibony, James Badge Dale, Ben Schwartz.

Drama

14 Anos

Corre Philippe, Corre!

            Em 1974 um equilibrista francês chamado Philippe Petit chamou a atenção do mundo ao atravessar as Torres Gêmeas suspenso em uma corda e com as torres ainda em construção. Não bastasse a ousadia e coragem do feito, toda a preparação foi feita à surdina e Philippe contou com amigos, namorada e de seu mestre, Papa Rudy.

            Tudo isso foi contado no documentário O Equilibrista, de 2008, que faturou o Oscar de Melhor Documentário na ocasião.

            Mas, como pouca gente assiste a documentários e essa é uma história fantástica demais para ser ignorada, o diretor Robert Zemeckis dirige, escreve e produz um longa metragem de ficção desta mesma história: A Travessia é baseado no livro ‘To Reach the Clouds’, escrito pelo próprio Petit e tomou algumas liberdades poéticas, mas, ao contrário do que se possa imaginar, essas liberdades funcionam, sobretudo porque mesmo com o público sabendo como a história termina, o roteiro coloca, tanto o protagonista como o grupo, em situações que a coisa pode dar errado: por diversas vezes eles passam por situações de perigo e a desistência é constantemente dita.

            O filme é narrado em 1ª pessoa pelo próprio Joseph Gordon-Levitt (que está em cima da Estátua da Liberdade enquanto narra) e conta desde sua infância em Paris até sua ação no World Trade Center, mostrando suas primeiras apresentações no centro da cidade-luz, na qual muitas vezes ele se apresentava clandestinamente, o não-apoio de seu pai, sua saída de casa por conta disso, sua amizade com o mestre Papa Rudy, aqui vivido pelo Ben Kingsley e seu início de namoro com Annie, que também era artista de rua e começou a acompanhar Petit em sua trajetória.

            Petit teve a idéia de andar sobre uma corda nas Torres Gêmeas após ver um anúncio da construção das mesmas em um dentista, levou meses para arquitetar tudo: viajou para Nova York, se disfarçou de operário, arquiteto, engenheiro, calculou a distância, o tempo, precisava saber como prender as cordas de forma eficiente, enfim, nada poderia dar errado.

            O filme acerta em focar no sonho de Petit e para os próximos anos, pode muito bem funcionar como um filme de auto-ajuda, afinal, para seguir com um sonho, uma idéia, às vezes precisamos burlar as regras do sistema e seguir o coração – ao invés de seguir ordens. E se contarmos os artistas mais geniais da história, independentemente da área, todos fizeram isso.

            Já fazia um bom tempo que o diretor Robert Zemeckis não tinha um sucesso crítico como este, ele começou sua carreira na década de 80, sendo parceiro de Steven Spielberg, mas logo foi criando independência criativa e seu melhor filme até aqui, que é Forrest Gump (tá bom, um dos dois melhores, estando ali empatado com De Volta Para o Futuro) foi o filme que lhe rendeu o Oscar de Melhor Diretor em 1995 e há sim, muitas semelhanças com os dois filmes, ‘A Travessia’ e ‘Forrest Gump’ embora possa soar exagerada essa comparação, elas existem sim: além da já citada narração em off do próprio protagonista, a infância reprimida, o primeiro amor de forma pura (embora Annie e Jenny tenham psicológicos completamente diferentes), a história se superação e a trilha sonora lírica de Alan Silvestri, que assim como em Forrest Gump, é quase um personagem no filme.

            Quem for assistir ao filme em casa, pela internet ou em DVD, vai acompanhar uma grande história, mas o 3D – e o IMAX também – trazem a imersão que o filme necessita com a câmera quase vertiginosa de Zemeckis e assim como em Forrest Gump, mostrando efeitos onde não se nota, como em Petit se equilibrando na corda, o World Trade Center feito por computação gráfica e a boa reconstrução da época. E tudo isso necessita de uma boa profundidade em 3 dimensões, que ‘A Travessia’ faz muito bem.

            Nesse cenário, Robert Zemeckis entra na galeria dos grandes cineastas que usaram bem este recurso: recentemente tivemos Ridley Scott em ‘Perdido em Marte’ e também temos Martin Scorsese em ‘A Invenção de Hugo Cabret’, Alfonso Cuarón em ‘Gravidade’, Ang Lee em ‘As Aventuras de Pi’ e James Cameron em ‘Avatar’.

            ‘A Travessia’ não tem a perfeição de Forrest Gump (o envolvimento familiar ficou enxuto demais no início e ele perde um pouco o ritmo em uma determinada hora), mas foi maravilhoso ver que este cineasta que aprendemos a respeitar e gostar não perdeu a mão de uma boa direção, de trabalhar bem os atores e adaptar uma boa história (que poderia se perder, já que temos a referência do documentário). O público até o perdoa pelas suas animações medianas da década passada.

Nota: 9,0

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segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Peter Pan (2015)


Peter Pan (Pan)

Direção: Joe Wright

2015

Com: Levi Miller, Hugh Jackman, Garrett Hedlund, Rooney Mara, Adeel Akhtar, Amanda Seyfried, Cara Delevingne.

Aventura

LIVRE

Filme de origem é sem alma e sem carisma

            A história do Peter Pan encanta gerações até hoje e ela é constantemente readaptada, independentemente do ponto de vista. Em 2004 a história do autor da obra, J. M. Barrie foi contada de forma consistente em ‘Em Busca da Terra do Nunca’. Até Steven Spielberg se rendeu à essa grande história, com ‘Hook – A Volta do Capitão Gancho’, de 1991.

            E agora, em 2015, seguindo as leis do mercado, a Warner decide contar a “origem jamais contada” de Peter Pan.

            Mas, para a decepção geral, quem contava que seria o início da rivalidade de Peter Pan e Capitão Gancho ou a origem da lenda, pode tirar o cavalo da chuva: a intenção era fazer uma franquia e mostrar mais isso em um segundo filme, mas com o fracasso deste aqui, não deve sair do papel.

            O problema é que esse novo Peter Pan (e porque raios não mantiveram o título original, Pan?) tem todos os clichês da Hollywood atual: a história do escolhido, cenas de ação que você já viu por aí, mas desta vez, mal executadas, CGI em quase tudo – e claramente dá para notar, porque tudo ficou artificial demais, com tudo feito em estúdio e, em muitos casos, nem os atores são reais (alguém se lembrou de Star Wars I – A Ameaça Fantasma?) e o elenco é, em parte, competente, mas mal assessorado.

            A personagem de Amanda Seyfried, que é uma boa atriz, é importantíssima para a trama, já que ela faz a mãe do protagonista, mas ela tem, no máximo, um minuto de tela. Rooney Mara, essa grande atriz, em alta em Hollywood e já com uma indicação ao Oscar, faz seu pior papel da carreira. Sua personagem, a Princesa Tigrinha (!) passa o filme todo sem a expressão dramática que exigia, tem diálogos quase constrangedores, sem contar o figurino brega e de barriga de fora. Em um filme para o público infantil, isso ficou de extremo mal gosto. Mesmo Cara Delevingne, que faz uma ponta como uma sereia, merecia mais destaque. Ela foi a única coisa bacana em ‘Cidades de Papel’ e será a Magia em Esquadrão Suicida.

            Até Hugh Jackman como o vilão Barba Negra tem a atuação exagerada e estereotipada. Em 2015 ele fez dois vilões e ambos não convenceram: no começo do ano ele fez o vilão na ficção científica Chappie e agora este. Hugh é um excelente ator, que transcende seu Wolverine, basta ver em ‘Fonte da Vida’ e ‘Os Miseráveis’, por exemplo, mas talvez ele precise trocar de agente.

            Mas temos atores ruins aqui em Peter Pan também, como o próprio protagonista, que parece que não sabe que expressões de medo e aventura são coisas distintas, por aqui é só caras e bocas, mas pode ver neste papel grande, uma chance de brilhar.

            As duas atuações de Peter Pan dignas de Framboesa de Ouro são do péssimo Garrett Hedlund, como o Capitão Gancho. Ele passa todo o tempo fazendo pose de galã e cantando a personagem da Rooney Mara, sem contar que os dois não têm química alguma. E um dos capangas do Barba Negra, Barrica, que não funciona como alívio cômico e é praticamente um peso morto na história.

            Nada disso, porém, é culpa do diretor Joe Wright, que dirigiu bons filmes com Keira Knightley: Orgulho e Preconceito, Desejo e Reparação e Anna Karerina, mas do péssimo roteiro de Jason Fuchs e de todas as decisões da Warner de mais uma tentativa de franquia para o público infantil, já que os filmes da DC Comics, Batman VS Superman e Esquadrão Suicida, junto com ‘Animais Fantásticos e onde habitam’, que é um derivado de Harry Potter, ficaram para 2016 e o estúdio queria desesperadamente um filme para salvar 2015, já que seu principal lançamento, ‘Mad Max – A Estrada da Fúria’, teve ótimas críticas, mas não foi um estouro de bilheteria e sua tentativa de vender a imagem de Henry Cavill (que interpreta o Superman) em O Agente da U.N.C.L.E., fracassou.

            Na história, Peter Pan é abandonado por sua mãe em um orfanato e a história dá um salto de 12 anos, com a Inglaterra na Segunda Guerra Mundial e o pequeno Peter sofrendo com a rigidez das freiras que comandam o local. Descobre-se que as freiras vendem as crianças para um grupo de piratas liderado pelo Barba Negra e que elas irão trabalhar em uma mina para gerar riqueza do pó das fadas. Após um mal entendido, Pan quase morre nas mãos do Barba Negra, mas consegue voar e o vilão descobre que ele é o único que pode abrir o portal para o reino das fadas, mas Peter consegue fugir, junto com o seu amigo, Capitão Gancho, descobrem o reino da princesa Tigrinha e tentam chegar ao reino das fadas antes de Barba Negra e sua equipe.

            Esse início do filme é sombrio e quase apocalíptico e parecia que a história iria seguir esse rumo, mas foi pura propaganda enganosa para os clichês e para o clima carnavalesco que seguiria a seguir, ou seja, é pesado demais para os menores e infantil demais para os maiores.

            Se a Warner quer mais uma franquia, já que ela está carente com o fim de Hobbit e seus grandes lançamentos só estreiam ano que vem, não foi com Peter Pan que ela conseguiu.       

Nota: 2,0

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domingo, 11 de outubro de 2015

Perdido em Marte


Perdido em Marte (The Martian)

Direção: Ridley Scott

2015

Com: Matt Damon, Jessica Chastain, Kristen Wiig, Jeff Daniels, Chiwetel Ejiofor, Sean Bean, Mackenzie Davis, Kate Mara, Michael Pena, Sebastian Stan, Benedict Wong, Donald Glover.

Ficção Científica

12 Anos

Bem-vindo de volta, Scott

            O diretor Ridley Scott bem que tenta, mas não consegue se separar da ficção científica e embora ele tenha acertado em outros gêneros com Gladiador e Thelma & Louise, ele mais errou do que acertou. Mesmo dentro da ficção científica ele já cometeu deslizes: se Alien – O 8º Passageiro e Blade Runner – O Caçador de Andróides são duas obras-primas do cinema, o mesmo não se pode dizer de Prometheus, que teve um dos trailers mais espetaculares dos últimos anos e acabou decepcionando a maioria do público.
            Mas, nada como se reinventar no próprio gênero e colocar uma temática diferente: Perdido em Marte é um grande filme de ficção científica e deve ser visto por todo o público, desde os mais entendidos em ciência até o público comum.

            As comparações com Interestelar são inevitáveis: no filme de Christopher Nolan, Matt Damon também interpreta um astronauta que está perdido em um planeta distante, mas enquanto o filme estava em produção, os produtores deixaram claro que são filmes distintos. E o trailer mostrou isso também.

            Na história, uma equipe de astronautas da NASA liderada por Melissa Lewis (Jessica Chastain) faz uma missão em Marte, mas uma forte tempestade de areia faz com que um dos tripulantes, Mark Watney (um Matt Damon ótimo!) fique desacordado, é dado como morto e é deixado por seus colegas.

            No dia seguinte, Watney acorda com baixa quantidade de oxigênio, mas logo se reabilita ao voltar para a base instalada pela equipe no planeta. E nesse contexto, Watney luta pela sobrevivência enquanto tenta fazer contato com a NASA.

            Enquanto isso, na Terra, Watney é homenageado, mas demora dois meses para descobrirem que ele está vivo e bem em Marte, porém o diretor da NASA, Teddy Sanders (Jeff Daniels) discute se vale a pena arriscar milhões de dólares por causa de apenas uma vida.

            Neste meio tempo, a equipe liderada por Melissa está em órbita no espaço, demora um pouco para ser contatada sobre o estado de Watney, mas organiza uma missão de resgate.

            E Perdido em Marte vai intercalando sendo 3 filmes em 1: tem o núcleo da Terra, que se passa na NASA, o núcleo da equipe, mas o que mais se destaca é a sobrevivência de Watney sozinho em Marte.

            Em momento nenhum o filme se torna enfadonho, muito pelo contrário. É certo que muitos ficam com um pé atrás de ficção científica e muitos não têm paciência com o gênero, mas Perdido em Marte é uma exceção: quando a plateia pensa que ver Matt Damon sozinho vai cansar, o filme corta para o arco na Terra, e assim por diante, e nenhuma história é menos importante do que a outra.

            O roteiro de Drew Goddard (que também escreveu alguns episódios de Demolidor e Lost), que é baseado em um livro homônimo de Andy Weir, consegue ser explicativo, mas sem questionar a inteligência do espectador: por diversas vezes, Mark Watney está conversando com a NASA por conferência, mas, na verdade, está conversando com a plateia, o que em um filme de ficção científica, faz todo o sentido. Sem contar as reuniões da NASA (em uma determinada cena, quando o personagem de Donald Glover explica sobre um equipamento, usando Jeff Daniels e Kristen Wiig de exemplo, é muito bacana).

            As comparações com Náufrago e Gravidade também são inevitáveis: no caso do filme com Tom Hanks, mostra a sobrevivência em uma terra desconhecida e no caso do filme com Sandra Bullock, além da sobrevivência, é uma história também de ficção científica.

            Mas, qual é a diferença de Perdido em Marte para esses filmes, mais Interestelar? Enquanto nesses 3 filmes temos a introspecção, reflexão e drama dos personagens, em Perdido em Marte as soluções chegam a ser cômicas: existem os momentos de reflexão, mas Watney faz piadas o tempo todo, tenta sobreviver sem se desesperar (e os momentos de desespero fariam todo o sentido!) e usa soluções ecológicas para se alimentar – a idéia da plantação de batatas é extraordinária.

            Olhando por esse lado, Perdido em Marte é sim um filme otimista: o bom humor de Matt Damon é uma metáfora sobre não perder a alegria e a esperança sobre a adversidade.

            Também o filme é uma alegoria sobre a arrogância humana, sobretudo na figura de Teddy, que está mais preocupado com os lucros do que a vida de Mark.

            Não por isso, Perdido em Marte pode ser um grande objeto de estudo e ser exibido em escolas e faculdades para ensinar questões de ciência, astronomia, esperança e a não-ganância.

            Como todo e qualquer filme de ficção científica, as referências a ‘2001 – Uma Odisséia no Espaço’ estão lá, seja na equipe orbitando no espaço ou na personagem de Kate Mara se exercitando na esteira.

            Hoje em dia, a China é o segundo maior mercado do cinema mundial, já salvou Hollywood várias vezes e foi a grande responsável de termos, em 2015, 3 filmes que ultrapassaram 1 bilhão de dólares em bilheterias, são eles: Vingadores 2, Velozes e Furiosos 7 e Jurassic World.

            A Fox (produtora de Perdido em Marte) sabe muito bem disso e usou isso a seu favor, seu destruir a história: em um determinado momento, a NASA precisa da tecnologia chinesa para a missão de resgatar Watney, inclusive com os atores falando em mandarim – e isso em um blockbuster americano é muito arriscado. Imagina o quanto este filme deva faturar em território chinês?

            Ainda não foi divulgado o orçamento final de Perdido em Marte, mas claramente foi alto, seja em sua milionária produção, mas também no excelente elenco: para unir tantos atores bons em um arrasa-quarteirão americano, somente um diretor do nome de Ridley Scott consegue isso: além de Matt Damon, que tem mais tempo de tela, não devemos nos esquecer da equipe da NASA: Jeff Daniels, Chiwetel Ejiofor (indicado ao Oscar por 12 Anos de Escravidão), Kristen Wiig e Sean Bean (o Ned Stark de Game of Thrones) e do grupo de astronautas no espaço: Jessica Chastain, que dispensa apresentações, Kate Mara (a Zoe Barnes de House of Cards), Michael Pena (que esteve recentemente em Homem-Formiga), e Sebastian Stan, que é o Soldado Invernal da Marvel.

            Costuma-se criticar a tecnologia 3D e são poucos filmes que justificam a conversão em 3 dimensões, mas Perdido em Marte é uma feliz exceção, porque o 3D é primoroso, justamente porque une os efeitos maravilhosos com a profundidade que o filme exige, feita de dentro para fora – e não de for a para dentro, ou seja, não tem objetos sendo arremesados para a platéia, mas a profundidade está nos detalhes, sejam nas conferências de Watney, na equipe orbitando e até na entrevista coletiva de Teddy, que nem havia “necessidade”.

            Perdido em Marte está no top 5 dos melhores usos do 3D, junto com o próprio Gravidade, Avatar, As Aventuras de Pi e A Invenção de Hugo Cabret e o que esses filmes têm em comum? Todos têm grandes diretores e sabem usar a tecnologia em favor da narrativa, e não para justificar o valor alto do ingresso, como ocorre em 90% das produções.

            É quase certo que Perdido em Marte esteja no Oscar 2016 nas categorias técnicas, seja de Melhor Som, Montagem, Edição e Efeitos Especiais – nesta última a concorrência está grande este ano e talvez o Oscar não premie um filme no espaço por 3 anos seguidos (Gravidade e Interestelar ganharam em 2014 e 2015, respectivamente), mas também merece estar em Melhor Roteiro e porque não, Melhor Ator para Matt Damon?. Já passou da hora de os acadêmicos pararem com o preconceito com a ficção científica.

Nota: 10,0

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