domingo, 19 de abril de 2015

Chappie


Chappie

Direção: Neill Blomkamp

Ano de produção: 2015

Com: Sharlito Copley, Dev Patel, Hugh Jackman, Sigourney Weaver.

Gênero: Ficção Científica

Classificação Etária: 16 Anos

Distrito 9 junta com Elysium

            O cineasta Neill Blomkamp já está no terceiro filme e já dá para notar alguma marca: o gosto pela ficção científica e por futuros distópicos.

            Em Distrito 9 foi uma revelação, em uma ficção completamente diferente do convencional, produzida pelo Peter Jackson, pegou todo mundo de surpresa, foi um grande sucesso, foi reconhecido pelo Oscar para Melhor Filme e revelou esse grande ator chamado Sharlito Copley (injustiçado pelo Oscar para Melhor Ator). E ainda tinha uma grande história, cheia de metáforas para o apartheid e para o mundo em geral.

            Em 2013, Neill Blomkamp, agora um nome conhecido de Hollywood e com uma produção muito maior, realiza Elysium, que tem uma história ainda melhor do que Distrito 9, ainda que mal aproveitada, mas com uma grande elenco, inclusive os brasileiros Wagner Moura e Alice Braga. Apresenta dois mundos, as elites e o “povo”, mas ficou muito irregular principalmente por focar o “exército de um homem só” com uma história política como essa.
            E em 2015, ele lança seu nome filme, Chappie...

            Ele dirige e escreve o roteiro e, mais uma vez, usa metáforas políticas e apresenta uma ficção científica distópica e pessimista.

            A história novamente se passa em Joanesburgo, na África do Sul (Distrito 9 também se passava em terras africanas) uma empresa cria robôs-policiais para combater a alta violência, que vai a quase zero. Nesse cenário, temos Deon (Dev Patel), criador do sistema, que está em um projeto de um robô com vontades próprias por sistema de inteligência artificial, porém, ele acaba caindo nas mãos de criminosos, sendo obrigado a criar o robô para praticar crimes. Mas esse robô, com o nome de Chappie (Sharlito Copley), é quase como uma criança, aprendendo a falar e tendo que ser domesticado, seja por criminosos, ou por seu criador. E ainda dentro da mesma empresa, temos o arco do Vincent (Hugh Jackman), que cria um outro robô com o nome de Touro, ultra poderoso, mas que não consegue levar o projeto para frente pois sua diretora (Sigourney Weaver) está mais focada nos robôs-policiais.

            Apesar de o roteiro ser dito original, as referências com os clássicos de ficção científica estão lá, seja a referência clara pelo Robocop (em se tratando de um robô-policial), ou ‘Um Robô em Curto Circuito’, em se tratando de um robô sentimental.

            Há muitas qualidades em ‘Chappie’, além dessa grande sacada da história, ainda temos a excelente fotografia pessimista e escura, que também virou a “marca” de Neill Blomkamp, temos a trilha sonora de Hans Zimmer (que também assina a trilha da trilogia Batman e do recente Interestelar, por exemplo) e também não podemos nos esquecer da alegoria com a vida humana, em como a educação é fundamental e a forma de como uma criança é orientada, diz muito sobre seu perfil, pois Chappie é um robô que mais se aproxima do que é humano, sem maldade de início, mas que “aprende” sobre o mundo da pior maneira possível, orientado por criminosos a roubar carros e roubar um banco, tudo isso para pagar uma dúvida de 20 milhões de dólares com um outro criminoso.

Porém, o próprio roteiro toma decisões equivocadas, principalmente porque ele não se decide se é sombrio, violento, ou se explora o lado mais sentimental da “infância” de Chappie.

            E não devemos nos esquecer da péssima escolha de elenco, que, a exceção do próprio Sharlito Copley (mas daí ele faz um personagem digital), está todo mundo perdido e mal aproveitado. Dev Patel, que parece que só deu certo em ‘Quem Quer Ser Um Milionário’, não convence como um cientista e demonstra carisma zero para segurar um filme de alto orçamento. Sigourney Weaver, que há tempos não interpreta uma protagonista, nos últimos anos, fazendo sempre uma coadjuvante de luxo, aqui tem seu talento desperdiçado fazendo poses de diretora, mas nada se compara ao personagem constrangedor de Hugh Jackman, interpretando seu primeiro vilão, que estava claramente sem vontade no papel.

            O diretor Neil Blomkamp tem muito potencial para nos apresentar algum grande filme como ‘Distrito 9’ foi, seus filmes seguintes, Elysium e Chappie não são exatamente ruins, há várias qualidades que indicam que é só uma questão de tempo até o diretor acertar novamente, só torcemos para que seja logo.         

Nota: 7,0

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sexta-feira, 17 de abril de 2015

Demolidor - 1ª Temporada


Demolidor – 1ª Temporada

Criada por: Drew Goddard

Ano de lançamento: 2015

Com: Charlie Cox, Vincent D’Onofrio, Elden Henson, Deborah Ann Woll, Ayelet Zurer, Scott Glenn.

Gênero: Ação

Classificação Etária: 16 Anos


‘Demolidor’ é um grande salto de duas grandes do entretenimento

            ‘Demolidor – o homem sem medo’, de 2003, é até hoje lembrado como dos piores filmes da história baseado em HQ e a grande maioria acha que o principal responsável por isso é o protagonista, Ben Affleck.

            De fato, ele estava muito mal como o herói, mas dizer que a culpa era unicamente dele é injusto, pois o estúdio desvalorizou o que tinham nas mãos e transformou a história em um produto para a família. Sem contar que o diretor, Mark Steven Johnson, fez outra péssima adaptação anos depois, que foi ‘Motoqueiro Fantasma’.

            Mas, temos que agradecer aos céus por esse filme existir, pois, se ele tivesse dado certo, possivelmente achariam que esta seria a versão definitiva do Demolidor e não a tentariam melhorar e juntando o fato de os direitos do herói terem voltado para a Marvel, ela não brincou em serviço e, em parceria com a Netflix, produzem a série de TV do Demolidor.

            E sabendo do “padrão Netflix” de distribuir séries, ‘Demolidor’ foi feita não com episódios separados, mas como um filme de 13 horas, em 13 episódios que deixam um gancho para o outro.

            Uma das reclamações para o filme com Ben Affleck era o clima de aventura e os fãs queriam algo mais sombrio, como as HQs. E a Marvel ouvindo tudo isso nos entrega uma série que não é de típica de super-heróis, mas política, sombria e ultra-violenta. E como estamos falando de uma cidade corrompida, poderia muito bem ser passada aqui no Brasil.

            Na história, o garoto Matt Murdock vive em Nova York no bairro Hell’s Chicken (ou Cozinha do Inferno nos quadrinhos) perdeu a visão aos 10 anos de idade após um acidente com uma substância radioativa, mas isso aguçou seus demais sentidos de forma extraordinária e após seu pai falecer de forma injusta, ele cumpre a promessa feita a ele em agir com justiça, daí ele vira advogado de dia e herói mascarado de noite, o Demolidor e seu arqui-inimigo é Wilson Fisk, também conhecido como o Rei do Crime.

            O herói Demolidor foi criado em 1964 e não fez sucesso de início, sendo chamado de “série b” das HQs da Marvel, até que Frank Miller compreendeu o conceito do herói urbano e adotou um toque mais político e sombrio e fez uma das melhores HQs da história que foi a saga ‘A Queda de Murdock’, que é aclamada até hoje. E foi justamente esta fase que foi mais adotada na série.

            Logo nos primeiros momentos do episódio piloto os produtores deixaram claro que não se trata de um produto de entretenimento, mas algo levado a sério, sem alívio cômico e sem alguns, digamos, maneirismos da Marvel: vemos a primeira aparição de Karen Page com uma faca na mão, com um corpo cheio de sangue no chão e com a polícia chegando ao local, deixando-a sem reação. Já no final do episódio, vemos o nosso herói combatendo criminosos e a cena sem a preocupação de poupar o sangue e violência. E juntando isso com um esquema de tráfico de drogas realizado por imigrantes chineses ilegais e com os olhos arrancados!

            Mesmo com o passar da série e sem a violência explícita dos primeiros episódios, ainda há o clima tenso, principalmente porque a partir do episódio 4 temos toda a construção de Wilson Fisk como o Rei do Crime, o surgimento de personagens importantes nos quadrinhos, como o jornalista Bem Urich e Stick, o mentor de Matt, que só aparece no episódio 7.

            Além do clima pesado da série, o excelente roteiro é um ponto alto, principalmente por respeitar o universo das HQs e conversar com o público em geral que não conhece os quadrinhos, seja na história que, repito, poderia ser real e se encaixa em qualquer lugar do mundo.

            Mas a melhor coisa de Demolidor e que a torna uma grande série é a construção dos personagens. E absolutamente todos estão excelentes em seus papéis, vejamos:

            Charlie Cox, que esteve recentemente em ‘A Teoria de Tudo’ nunca foi uma estrela e agora como o Matt Murdock/Demolidor é a chance se revelar. E foi um grande acerto da Marvel e Netflix em colocar um ator sem glamour e considerando o clima dos episódios, fez todo o sentido.

            Elden Henson como Nelson “Foggy”, o melhor amigo de Matt, é também o sócio dele na recém-formada empresa de advocacia, Nelson & Murdock, que tem como foco os clientes ditos inocentes e sem dinheiro.

            Karen Page é a primeira cliente de Foggy e Matt depois de ela ter sido acusada injustamente de ter assassinado seu colega de trabalho logo no começo da série e, ao ser absolvida, está sem família ou amigos e aceita trabalhar como secretária na empresa dos dois. Logo, Foggy e Matt se tornam sua família e únicos amigos.

            Ela é interpretada pela Deborah Ann Woll, que fez Jessica em True Blood e está absolutamente incrível como Karen Page, principalmente quando é exigida e sua personagem não se contenta em ser apenas a mocinha, mas uma mulher que ajuda seus amigos a destruir o vilão Wilson Fisk e com arcos interessantes. E muitas vezes ela demonstra mais juízo e equilibro do que Foggy e Matt e o episódio 11, que é muito dedicado a ela, é espetacular.

            E por falar em Wilson Fisk, interpretado brilhantemente por Vincent D’Onofrio é o melhor personagem de Demolidor e a série acertou muito em apresentá-lo aos poucos e mostrando, de início, como um sujeito perturbado e humano, inclusive como homem apaixonado após conhecer sua amada Vanessa e tendo um breve relacionamento, mas depois se assumindo como vilão e parecendo ameaçador na frente do herói.

            Existem alguns flaskbacks na série envolvendo Matt e Foggy, que são excelentes, mas o flaskback de Wilson Fisk é muito melhor, apresentado no episódio 8, dedicado somente a isso e é o melhor episódio da temporada: mostrando a infância reprimida dele em Hell’s Chicken, com seu pai carrasco e violento. Essa passagem foi importantíssima para termos uma empatia com o vilão e entendermos suas motivações.

            A última grande atuação de Vincent D’Onofrio foi em ‘Nascido para Matar’ de Stanley Kubrick de um distante 1987 e aqui como Fisk foi um papel tão intenso que não devemos duvidar de alguma indicação em algum prêmio.

            Não podemos nos esquecer que Demolidor é uma série da Marvel e considerando seu universo, fica a pergunta: existe alguma ligação entre essa série, com outras e os filmes da Marvel? Para a alegria dos fãs, a resposta é sim, principalmente porque Demolidor é uma série praticamente “pós-apocalíptica” que se passa após a destruição de Nova York em Os Vingadores, sem contar as pistas e dicas sobre os heróis como Capitão América e o Homem-de-Ferro.

            Isso sem contar que Demolidor é a primeira série entre outras 4 que serão sobre os ditos heróis urbanos da Marvel que resultará na série dos Defensores: Jessica Jones está prometida para o final deste ano, depois vem o Luke Cage, Punho de Ferro e depois, Os Defensores.

            Esta é a terceira série da Marvel em menos de 2 anos. Agent’s of Shield teve suas falhas, mas logo se encontrou ainda na primeira temporada, principalmente após os eventos de ‘Capitão América 2’ e agora está com uma 2ª temporada muito bacana. Depois teve Agent Carter, derivada do primeiro filme do Capitão América, esta sim, foi ótima do início ao fim.

            Mas não é exagero nenhum dizer que Demolidor é a melhor delas, e dá para ir mais longe: se pegarmos também as grandes séries da DC Comics, como Flash e Arrow, não é nenhuma pretensão nem injustiça dizer que Demolidor é a melhor série baseada em quadrinhos até o momento, afinal, não estamos falando de uma série simplesmente, mas como um filme único de 13 horas para ser apreciado aos poucos, ou de forma íntegra, tudo a gosto do usuário, como manda a Netflix.

Nota: 10,0

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segunda-feira, 6 de abril de 2015

Demolidor - O Homem Sem Medo


Demolidor – O Homem Sem Medo (Daredevil)

Direção: Mark Steven Johnson

Ano de produção: 2003

Com: Ben Affleck, Jennifer Garner, Michael Clarke Duncan, Colin Farrell, Jon Favreau, Joe Pantoliano.

Gênero: Ação

Classificação Etária: 14 Anos


Demolidor seria bom se não fosse adaptação de HQ

            Durante a 2ª metade dos anos 1990, o casamento entre cinema e quadrinhos era péssimo: foram várias adaptações fracassadas e frustradas, o mercado parecia que havia mudado e também parecia que quadrinho era coisa de criança e que agora o cinema tinha que falar para o público adulto: dentre as péssimas adaptações, podemos citar ‘Spawn – O Soldado do Inferno’, mas o fundo do poço foram os dois filmes da série Batman, dirigidos por Joel Schumacher: ‘Batman Eternamente’ e ‘Batman & Robin’, defendido por muitos como o pior filme de HQ da história.

            Se ‘Blade’, de 1998 já foi um salto, ‘X-Men’ em 2000 foi um grande divisor de águas. Foi a partir daí que a indústria viu que quadrinhos era coisa séria e que dava para se fazer um grande filme baseado em uma HQ.

            ‘Homem-Aranha’, em 2002 foi um verdadeiro fenômeno pop e de bilheteria e foi a consolidação desse gênero que só cresce e hoje é das maiores fontes de renda dos estúdios.

            Mas, como Hollywood não brinca em serviço e como toda e qualquer onda, ela a explora até as últimas conseqüências e foi neste período que começou a adaptar várias HQs, independentemente do sucesso e quase sem critério. Foi daí que nasceu ‘Demolidor – O Homem sem Medo’.

            Na verdade, no mesmo período das adaptações fracas no final dos anos 1990, a Marvel se viu em uma crise financeira absurda e estava em processo de falência, foi daí que vários estúdios adquiriram direitos em seus heróis: a Fox ficou com os X-Men e a Sony com o Homem-Aranha e o Demolidor, que logo foi para o Fox.

            Seria uma manobra arriscada: Demolidor é um herói menos popular do que o Homem-Aranha ou os X-Men, o diretor era desconhecido, o protagonista estava em baixa na carreira e a mocinha só tinha experiência na TV. E o filme não foi nem de longe em mega sucesso, embora tenha se pagado.

            Mas quais foram os problemas do Demolidor? Foram basicamente a escolha do protagonista, alguns furos de roteiro e algumas alterações frustradas em relação aos quadrinhos, vejamos:

            Se Ben Affleck hoje é um diretor e roteirista consagrado e vencedor de Oscar, em 2003 ele estava em alta com seu romance com a beldade Jennifer Lopez, mas em baixa no cinema em produções de péssimo gosto. Contato de Risco que o diga. E seu Demolidor infelizmente não convence. O jeito é esperar pelo Batman VS Superman para 2016 para vê-lo em um filme digno de nota do gênero.

            E como adaptação, o filme tomou algumas mudanças em relação aos quadrinhos que não foram exatamente “licenças poéticas”, vejamos: nos quadrinhos o melhor amigo de Matt Murdock, “Foggy” Nelson (vivido por Jon Favreau – diretor de Homem de Ferro 1 e 2) é um advogado mais honesto e defende as causas de Matt, que é trabalhar com pessoas inocentes em detrimento aos poderosos e, assim, fazer justiça. Existe todo um arco e história do porquê eles se tornaram amigos inseparáveis. Aqui, Foggy é um sujeito interesseiro que, pegando os clichês da carreira de advogados, basicamente só trabalha pelo dinheiro e corre atrás de clientes ricos e culpados. Se Jon se provou um grande cineasta, como ator não pode se dizer o mesmo. E a primeira namorada de Matt, Karen Page, que é uma grande personagem das HQs, aqui inexiste e nem é citada. No lugar dela entrou a mercenária Elektra, vivida pela Jennifer Garner, na época, no auge com a série Alias.

            A intenção era criar uma heroína menos frágil e mais para a ação, que de fato é, principalmente quando entendemos as motivações dela, mas o resultado ficou uma mulher sexualizada e com pouco tempo em cena com seu uniforme. Mas a Fox gostou tanto dela que resolveu fazer um filme só seu em um péssimo spin-off, com o título de ‘Elektra’, em 2004. O filme é tão ruim que é difícil uma lista com os piores do gênero sem constá-lo.

            Pelo menos Ben e Jennifer se conheceram no set de filmagem do filme e estão casados até hoje. E quem os conhece diz que foi ela quem o tirou do ostracismo e foi fundamental para ele se tornar o sujeito respeitado que é hoje.

            Uma mudança em relação aos quadrinhos que muitos fãs reclamaram, mas não vi como problema foi na escolha de Michael Clarke Duncan como o Rei do Crime: nas HQs ele é alto, forte, obeso, porém, é da cor branca, muito diferente de Michael, que é negro. Mas ele personificou tão bem o vilão e está realmente ameaçador ao lado do Demolidor que a cor é apenas um detalhe. E estamos falando de um grande ator e com uma indicação ao Oscar no currículo.

            Se ‘Demolidor – O Homem Sem Medo’ não convence como adaptação, o mesmo não se pode dizer do drama do personagem em si e do romance do casal: Ben pode não convencer como herói, mas como cego sim, principalmente no início quando temos toda a sua origem, a infância complicada, com bullying e a perda de seu pai. A produção do filme teve esse cuidado com a condução da doença, contratando um especialista para acompanhar as filmagens.

            E como casal, Ben e Jennifer convencem (afinal, são um casal de verdade), não exatamente com seus uniformes de heróis, mas como “humanos” (a cena de quando eles se conhecem em uma lanchonete, resultando em uma luta no parque é muito bacana). Nesse ponto, lembra muito ‘O Espetacular Homem-Aranha’, que temos um casal de verdade em um filme que não anda.

            A série da Netflix sobre o Demolidor está aí e pode corrigir os erros deste filme aqui, principalmente agora que o herói voltou para as mãos da Marvel. Mas, se o filme deu tão errado, podemos olhar para o filme seguinte do diretor Mark Steven Johnson, que é o Motoqueiro Fantasma e ver que éramos felizes e não sabíamos.          

Nota: 6,0

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sábado, 4 de abril de 2015

Cinderela


Cinderela (Cinderella)

Direção: Kenneth Branagh

Ano de produção: 2015

Com: Lily James, Cate Blanchett, Richard Madden, Holliday Grainger, Sophie McShera, Helena Bonham Carter, Ben Chaplin, Hayley Atwell.

Gênero: Fantasia

Classificação Etária: LIVRE


Novo ‘Cinderela’ mostra que a tradição não pode ser perdida

             Hoje a Disney é, indiscutivelmente, o maior estúdio de Hollywood. E não é por acaso. E só de pensar que nos anos 1980 a empresa estava em um grande buraco financeiro. Após a compra e parceria pela Pixar, a compra da Marvel e da Lucas Film, parece que tudo o que esta empresa toca vira ouro. Não é propaganda de graça, para o bem ou para o mal, é a realidade. E além das animações, os filmes da Marvel e de Star Wars, a Disney também está investindo em filmes em live-action, sobretudo, em adaptar suas animações clássicas para superproduções em carne e osso.

            Se ‘Caminhos da Floresta’ foi um desastre total, seja de público e crítica, ‘Malévola’ no ano passado foi algo certeiro e das maiores bilheterias de 2014, além de marcar a volta de Angelina Jolie após sua cirurgia de retirada dos seios.

            E desta vez a Disney pega uma de suas animações mais famosas, ‘Cinderela’, lançada em 1950 e faz um filme com atores de verdade.

            Foi uma manobra arriscada, pois era um risco alto de parecer uma produção artificial demais e a computação gráfica muito evidente. E tem mais: o mundo mudou e parecia difícil que a história da moça ingênua e apaixonada ainda cairia no mundo atual, principalmente se pensarmos que os últimos filmes do gênero mostrava mulheres fortes, como ‘Frozen’, sátiras sobre contos de fadas como ‘Shrek’ e algumas “adaptações” da história da mocinha procurando pelo príncipe inatingível nos dias de hoje, como ‘Crepúsculo’ e até mesmo ‘Cinquenta Tons de Cinza’.

            E mesmo ‘Encantada’, que fez Amy Adams se tornar um rosto conhecido do grande público, que trazia novamente essa história da princesa, era uma paródia fazendo alegoria para o mundo atual. Até onde a memória alcança, o último filme mesmo que trazia essa tradição foi a bela animação ‘A Princesa e o Sapo’, em 2009.

            Nisso, era difícil imaginar um novo exemplar de ‘Cinderela’ e ainda se levar a sério. Sem paródia e com a mesma história, este novo filme pode ser chamado sim, de refilmagem: há uma ou outra mudança, mas a história como um todo é a mesma. Sim, a história da menina órfã que vive com a madrasta e irmãs más, perde o sapato de cristal e se casa com o príncipe, é exatamente igual. E um pouco diferente de ‘Malévola’ a vilã não é humanizada e não tem motivações. Ela é malvada e ponto.

            E como em todos os exemplares do gênero, para viver a vilã, foi escalada uma atriz de calibre e respeitada, no caso, Cate Blanchett. Ela está fresquinha por seu Oscar em ‘Blue Jasmine’ e é a melhor coisa deste filme aqui. Alguns críticos arriscaram o palpite que ela estará no Oscar ano que vem para Atriz Coadjuvante.

            A praticamente desconhecida Lily James também está muito bem em seu papel e pode ser uma chance de ver sua carreira brilhar – sua personagem em Downton Abbey passou praticamente despercebida.

            Na verdade, todo o elenco coube em seus devidos papéis e até Helena Bonham Carter como a Fada-Madrinha (que viveu a rainha vermelha em ‘Alice no país das maravilhas’) não compromete. E reparem, logo no início, que a atriz Hayley Atwell, que é a nossa Agente Carter, vive a mãe biológica de Cinderela (alguém disse a palavra “crossover” do universo Disney???).

            E sendo assim, temos um grande casamento entre cinema e TV. Além de Hayley Atwell e da própria Lily James, temos Sophie McShera, que aqui vive uma das irmãs malvadas, também está em Downton Abbey, mas ela é uma das protagonistas. Curiosamente, na série, Lily vive uma patroa e Sophie vive uma empregada na série. E o próprio príncipe, vivido por Richard Madden, é o Robb Stark de Game of Thrones.

            Dentre as poucas diferenças entre este filme aqui e o clássico, a mais visível é na música: a canção clássica e vencedora de Oscar, Bibbidi-Bobbidi-Boo é apenas citada em um feitiço da fada-madrinha.

            A produção está impecável e a Disney não economizou, seja nos efeitos, nos animais e cenários digitais, mas o destaque ficou para o belo figurino e design de produção. Poderemos ver ‘Cinderela’ nas categorias técnicas no Oscar 2016?

            O diretor Kenneth Branagh é conhecido como diretor mais teatral e Shakesperiano, mas anda experimentando as superproduções deste Thor (que vejam, é da Disney também!) e ‘Operação Sombra – Jack Ryan’ e aqui faz uma direção mais com sua marca e sim, mais teatral, mas se lembrando que sua mídia agora é o cinema.

            E o roteiro de Chris Weitz (que também é outro contratado pela Disney – ele está escrevendo o roteiro de Star Wars: Rogue One, com Felicity Jones, previsto para dezembro de 2016) teve o cuidado de manter o clássico desenho (alguns diálogos são idênticos) sem cair na pieguice e sem o risco de parecer ultrapassado.

            Se ‘Cinderela’ mantém a magia dos contos de fadas e a Disney quer interligar seus universos, coincidência ou não, antes do filme, há um delicioso curta animado derivado de Frozen com o nome de ‘Frozen – Febre Congelante’ que pode ou não fazer alguma ligação com o próximo filme que já foi anunciado.

            Resta saber até onde a Disney quer chegar com o seu universo.

Nota: 9,0

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Velozes e Furiosos 7


Velozes e Furiosos 7 (Furious 7)

Direção: James Wan

Ano de produção: 2015

Com: Vin Diesel, Paul Walker, Jason Statham, Nathalie Emmanuel, Michelle Rodriguez, Kurt Russell, Dwayne Johnson, Tyrese Gibson, Ludacris, Djimon Hounsou, Jordana Brewster, Ronda Rousey, Gal Gadot.

Gênero: Ação

Classificação Etária: 14 Anos


Novo ‘Velozes’ dá mais seriedade à série sem perder suas “raízes”

            Em 2001, o primeiro ‘Velozes e Furiosos’ veio como uma grande surpresa do verão daquele ano, tinha um elenco até então desconhecido e nada indicava que nasceria uma das franquias mais rentáveis do cinema – hoje é, ao lado de ‘Cinquenta Tons de Cinza’, a maior franquia da Universal.

            E quando a série surgiu, sobretudo nos 3 primeiros filmes, o intuito era ser mais um produto masculino, com músculos e mulheres lindas, mas após o 4º filme, a série deu uma turbinada (sem trocadilhos!) e incluiu algo que não havia nos filmes anteriores: roteiro. E, principalmente, envolvimento com os personagens. Desta vez os protagonistas não são apenas homens fortes lutando pela sua garota ou disputando rachas pelos seus egos: agora há família envolvida (como Toretto adora falar) e a história está além das pistas.

            Se o filme anterior, ‘Velozes e Furiosos 6’ já deu um grande avanço para a franquia, este aqui dá um passo além: a produção é muito maior e o envolvimento também, mas a razão principal para o já decretado sucesso do filme responde por um nome: Paul Walker. Ele faleceu no final de 2013, quando este filme ainda estava sendo rodado e gerou uma grande comoção mundial, principalmente por ele ser conhecido como uma pessoa, de bom coração e que toda a Hollywood o adorava.

            Nisso, o filme, que estrearia no ano passado, teve sua produção temporariamente cancelada e só retomada meses depois da morte de Paul exatamente para definir quais rumos o filme teria – ou se teria filme mesmo.

            E a decisão não poderia ter sido melhor: haveria filme sim, todas as cenas de Paul seriam utilizadas e nas tomadas em que ele não gravou, teriam o uso de dublês, os dois irmãos dele trabalharam como dublês também e com uma pesada maquiagem, ambos ficaram quase idênticos a seu irmão. Também o estúdio colocou muita computação gráfica e há muitos diálogos de costas.

            E o resultado é quase imperceptível: por alguns momentos eu quase interrompi o clima da história para encontrar onde era o Paul Walker ou não. E a forma como os produtores fizeram foi muito bem feita, sem contar o desfecho preparado especialmente como homenagem póstuma e capaz de fazer qualquer marmanjo ir às lágrimas.

            Mas um filme como esse tamanho leva um grande trabalho para superar uma perda como essa e, voltando à conversa da seriedade que a franquia ganhou, aqui temos um envolvimento maior com os dramas dos personagens em uma grande história (mesmo!). Até Roman (papel de Tyrese Gibson), funciona como um alívio cômico.

            Após os acontecimentos do filme anterior e a morte de Shaw, seu irmão, Deckard (Jason Statham) agora quer se vingar da “família” de Dominic Toretto (papel de Vin Diesel): ele mata Han em uma corrida de carros no Japão e manda uma bomba para explodir a casa onde vive Toretto, sua irmã, Mia (Jordana Brewster), Brian (Paul Walker), Letty (Michelle Rodriguez), que é a namorada de Toretto e ainda está sem memória e o filho de colo de Mia e Brian. Paralelamente a isso, Deckard deixa Hobbs (Dwayne Johnson) hospitalizado após uma luta espetacular na abertura do filme e agora Dominic só quer vingança...

            E como se não bastasse, ainda temos a história de Ramsey, que está sequestrada por um grupo terrorista liderado por Jakande (Djimon Hounsou), e é a única pessoa que consegue controlar um perigoso sistema de vírus de computador e o Sr. Ninguém (sim, este é o nome e o papel é de Kurt Russell) manda Toretto e sua equipe para resgatar Ramsey e, assim, conseguir tecnologia para capturar Deckard.

            Se alguém se lembrou de Mercenários e do James Bond ao ver ‘Velozes e Furiosos 7’, as referências não foram em vão: com a franquia do Stallone é impossível não associar pela grande reunião de astros de ação, seja o próprio Vin Diesel, Dwayne Johnson, o “The Rock”, e agora a inclusão de Jason Statham. Cada um à sua maneira, de divertindo no papel e mostrando que ambas as franquias podem “conversar” entre si. E também se parece com os filmes de 007, pelas motivações do herói e espírito protetor: se James Bond protege seu país, Dominic Toretto protege sua família, independentemente do sangue. E também há uma cena que é referência clara à ‘Um Novo Dia Para Morrer’, quando Ramsey sai da água de biquíni e é quase idêntica à cena protagonizada por Halle Berry.

            E ainda na referência de ‘Os Mercenários’, não podemos deixar de reparar na participação especial da grande estrela e lutadora de MMA, Ronda Rousey (que curiosamente estava em ‘Os Mercenários 3’). Sua parte, que se passa em uma festa em Abu Dhabi, em que ela luta com Letty, é sensacional, além de cômica. E mostra como as mulheres podem aparecer – e protagonizar – filmes e séries em que elas são fortes, idealistas e sem serem sexualizadas – Jogos Vorazes está aí para comprovar.

            As cenas de ação beiram quase ao absurdo (no bom sentido!) em situações que desafiam a física ou qualquer ciência, com destaque àquela que o trailer passou, que são os carros saindo do avião no alto e com paraquedas, mas a melhor cena se passa também em Abu Dhabi: após a festa já citada, Toretto e Brian precisam sair com um carro do alto de um arranha-céu e a solução é sair com o carro “voando” e atravessando a janela de mais dois prédios.

            Ainda é cedo para dizer quantos filmes mais teremos da franquia. Não tenho problema nenhum com continuações, tendo um bom roteiro e sendo bem feito, podem ter 20 filmes que sejam – 007 está aí para comprovar – mas o próximo filme terá a responsabilidade de manter o ritmo deste 7º e ainda se provar como cinema sem a perda de mais alguém.

Nota: 9,0

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