Gente como a gente (Ordinary People)
Direção: Robert Redford
Ano de produção: 1980
Com:
Timothy Hutton, Donald Sutherland, Mary Tyler Morre, Judd Hirsch, Elizabeth
McGovern.
Gênero: Drama
Classificação Etária: 12 Anos
Somente a Academia conservadora explica “Gente como a
gente”.
É muito triste quando uma obra é lembrada pelas pessoas
de forma negativa. E “Gente como a gente” é um grande exemplo disso. Hoje em
dia, quase ninguém se lembra do filme, da história ou dos atores, muito menos
da história, mas, todo mundo que acompanha cinema se lembra – e muito bem – da
injustiça histórica cometida pelo Oscar no ano de 1981: “Gente como a gente”,
um drama que se tornou odiado por muitos com o passar dos anos, abocanhou os
principais Oscars daquele ano, de Melhor Filme e Direção, deixando para trás
ninguém menos do que “Touro Indomável” de Martin Scorsese. Isso explica o fato
de o filme ser tão odiado no circuito cinematográfico.
Na verdade, a Academia do Oscar (eu procuro dizer
Academia e Oscar como sinônimos), no final dos anos 1970 e começo dos 1980, procurou
premiar filmes mais otimistas, que traziam a família americana para o centro do
universo e promover o espírito “american way of life”.
Alguém duvida? Basta ver algumas injustiças históricas
dessa época: em 1977, a Academia deu o prêmio de Melhor Filme ao correto e
popular “Rocky – Um Lutador”, tirando o prêmio de filmes de calibre como “Taxi
Driver” e “Rede de Intrigas”. Em 1980, não há dúvida de que “Apocalypse Now” é
dos filmes mais poderosos e ousados da história e, também, dos melhores, senão
o melhor, filme de guerra da história. Mas a Academia resolve premiar um drama
certinho e correto que foi “Kramer VS Kramer”. E em 1981, a história se repete.
O Oscar ainda paga o preço por ter esnobado “Touro Indomável” como Melhor Filme
e de ter premiado este filme aqui.
Fui
assistir a “Gente como a gente” tentando gostar, esquecendo as premiações e
mergulhar na história. Foi uma grande pena que uma história tão rica, tão ampla
e tão cheia de sentimentos resultou em um filme chocho, frio, manipulador,
certinho demais e de tão obcecado por prêmios, que soa até falso.
Gente
como a gente conta a história da família Jarrett, sob o ponto de vista de
Conrad (Timothy Hutton, vencedor do Melhor Ator Coadjuvante pelo papel), que
tentou o suicídio após a morte de seu irmão mais velho e inicia um tratamento
psicológico. Seu pai, Calvin (Donald Sutherland) até tenta compreendê-lo e de
certa forma são amigos, mas Conrad se revela menos sociável. Sua mãe, Beth (Mary
Tyler Morre – indicada ao Oscar de Melhor Atriz pelo papel) não esconde de
ninguém da preferência pelo filho que morreu, sempre enfatiza e sempre culpa
Conrad pela morte do filho. Entra em cena seu psicólogo, interpretado por Judd
Hirsch (indicado ao Oscar de Ator Coadjuvante pelo papel), que parece sempre
distante de seu paciente e se mostra mais interessado em manter sua primazia
perante o jovem do que ajudá-lo de fato. A única pessoa que, aparentemente tem
alguma afetividade por Conrad é a jovem Jeannine (Elizabeth McGovern, em um
papel muito tímido), que de fato demonstra amizade verdadeira com o nosso
protagonista, mas não anula a angústia e sentimento ruim de Conrad.
A história
é ótima, poderia resultar de fato em algo comovente, histórico e épico. De
fato, há qualidades no filme. Este é o primeiro filme dirigido por Robert
Redford, que, tanto neste filme, quanto nos demais longas, ele demonstra
afinidade e que, sim, sabe trabalhar com atores e sabe, como todos os cineastas
deveriam saber, que a melhor coisa em um filme são os personagens. Todo o
elenco está com uma atuação discreta e correta, exceto Timothy Hutton, que
arrebenta como um jovem perturbado e psicologicamente mal resolvido. Seu papel
é, sem dúvida, a melhor coisa do filme.
Mas
seu andamento é tão arrastado e superficial que tornou “Gente como a gente”
ficar esquecido com o tempo. É um filme, portanto, já datado. A fotografia é
precária, o roteiro é, infelizmente, preguiçoso (e foi um roteiro vencedor de
Oscar) e todo o esforço do elenco (e olha que são ótimos atores) se perde
durante o filme. O roteirista Alvin Sargent (da trilogia “Homem Aranha”),
embalado por uma trilha sonora desastrosa), prefere as emoções fáceis ao invés
de, digamos, explorar mais o lado psicológico dos atores e ser mais, digamos,
inteligível. Além da longa duração. Duas horas é um tempo médio para um filme,
mas, neste caso, parece que o tempo não anda porque o filme em si parece que
nunca sai do lugar.
Há
algumas qualidades em “Gente como a gente”. A verdade é que ele é um filminho,
apenas quadradinho e esquecível e não tinha nada que ser premiado e premiação
nenhuma. E nem indicado. Há coisas que só a Academia faz por você.
Nota:
4,0
Imagens:
Trailer: