domingo, 9 de agosto de 2015

Quarteto Fantástico (2015)


Quarteto Fantástico (The Fantastic Four)

Direção: Josh Trank

2015

Com: Miles Teller, Kate Mara, Michael B. Jordan, Jamie Bell, Toby Kebbell, Reg E. Cathey.

Ação

12 Anos

Um total desrespeito da Fox

            Os trailers, pôsteres e materiais promocionais indicavam que esse novo Quarteto Fantástico seria um novo recomeço para a franquia após dois filmes fracos do grupo em 2005 e 2007 e também seria o pontapé inicial para a Fox fazer seu Universo junto com os X-Men, assim como a Marvel faz com seus filmes e é o que a DC está planejando fazer para o ano que vem.

            Mas, assim como foi o caso de ‘O Espetacular Homem-Aranha’, vemos a mesma história – e desta vez, muito mal contada. Para quem reclamou dos filmes anteriores do Quarteto, era feliz e não sabia, pelo menos ali existia uma vontade de alguns atores – era um problema de direção.

            Já aqui temos uma mistura de roteiro mal escrito, atores sem vontade e um estúdio que destratou o material que tinha nas mãos.

            Mas essa do estúdio tem uma explicação: a Marvel é um estúdio poderoso em Hollywood e volta a meia existem os rumores de o Quarteto e os X-Men voltarem para a Marvel, mas a Fox não quer abrir mão de suas principais franquias e tem que lançar um filme desses grupos de vez em quando para não perder seus direitos.

            Mas se X-Men está muito bem com seu último filme, Dias de um Futuro Esquecido, o mesmo não pode se dizer do Quarteto, que sim, foi um filme protocolar e feito unicamente para a Fox continuar com o direito para franquia, sem um mínimo de atenção e que passou por diversas alterações de roteiro e brigas internas entre o diretor, Josh Trank (de ‘Poder sem Limites’) e os executivos da Fox.

            A edição final que vimos passou por diversos cortes do estúdio e segundo o que Trank disse em uma entrevista, não foi aquilo que ele queria.

            Existe uma discussão online se os direitos do Quarteto Fantástico devem ou não voltar para a Marvel, o que é válida, mas, o problema não é esse. A própria Fox consegue fazer algo de bacana, além de X-Men, o trailer recente de Deadpool fez muita gente explodir a cabeça. O problema é a falta de interesse dos executivos e acharem que podem tudo, sem uma mente competente por trás.

            E que sirva de lição para os próximos lançamentos, porque tanta arrogância do estúdio fez com que esse filme fosse um fracasso de público e crítica, os prejuízos já estão sendo contados e a presunção deles era tão grande que meses antes de esse filme ser lançado, já haviam anunciado a continuação para 2017. E recentemente saiu a notícia que esse “Quarteto Fantástico 2” pode ser trocado por um “Deadpool 2”, o que também é uma forma de arrogância: mal sabem se o filme dará certo ou não e já estão contando com a sorte. O trailer é um arraso, mas há trailers que são melhores do que o filme. ‘Prometheus’ está aí para comprovar.

            Na história, um grupo, liderado por Reed Richards (Miles Teller), é enviado a uma perigosa missão no espaço que resulta em um acidente que os deforma. Reed vira o Sr, Fantástico, que tem o poder da elasticidade, Johnny Storm (Michael B. Jordan) é o Tocha Humana e Ben Grimm é o Coisa, que vira um criatura em forma de pedra de força sobre-humana.

            Faltou alguém? Pois temos a Susan Storm, que vira a Mulher Invisível que, curiosamente, não foi para a missão (!)

            Na volta para a Terra, com já um ano passado, eles vivem isolados e viram experimentos do governo americano para fins militares.

            Não fui contra a ideia de algo mais para o público infantil, mas não é porque é para criança que em que ser idiota, muito pelo contrário, é justamente porque é para criança que deve haver o mínimo de inteligência e competência, mas se o filme começa ruim, ele vai ficando inacreditavelmente ruim a cada minuto: a primeira hora do filme é basicamente a introdução dos personagens, poderia ter sido bacana se fosse bem feito, se não tivesse um ritmo tão lento e o pior, não há desenvolvimento nenhum, tudo fica artificial demais, seja a amizade entre Grimm e Richards, culminando na raiva de Grimm por ele ter se tornado o Coisa e Johnny praticamente inexiste nessa primeira hora, e não é apenas ele...

            Praticamente não há envolvimento emocional com o Susan Storm que é a intelectual do grupo em detrimento ao Richards, que ao invés de ser uma mulher forte neste meio machista, perde tempo com seus “momentos Discovery” com frases pseudocientíficas.

            A Kate Mara é uma boa atriz, já se provou em House of Cards, por exemplo, mas aqui está tão mal aproveitada que em momento nenhum se parece com uma heroína de ação. E pensar que a crítica detonava a Jessica Alba.

            O mesmo vale para Miles Teller. Ele arrebentou em ‘Whiplash – Em Busca da Perfeição’, lá no início do ano e agora parece um adolescente em crise como um líder que não sabe liderar e um herói que não tem força nem carisma.

            Quanto ao Coisa, não é a primeira vez que o ator Jamie Bell trabalha com captura de movimento, ele havia feito o papel principal em ‘As Aventuras de Tintin’, mas na ocasião era um filme de Steven Spielberg, produzido por Peter Jackson e Jamie estava muito bem assessorado.

            Mas aqui temos um péssimo uso da captura de movimento, juntando com uma voz que não deu a força que o personagem precisa. Quando ele fala, é impossível não conter a vergonha.

            Mas o que é um filme de super-heróis sem um bom vilão? Bom, nem isso salva. Victor Von Doom aparece logo no começo e após o acidente, fica 1 ano em outro planeta para voltar à Terra reivindicando a vida no outro planeta (!). Sem contar que ele não tem motivações e não há envolvimento com sua história, aliás, não tem história. E ao contrário do grupo de heróis, que tinha um bom elenco, mas mal aproveitado, desta vez nem isso: o ator que interpreta o Dr. Destino, Toby Kebbell, é uma mistura de vilão de Malhação com Chapolin em momentos constrangedores.

            O Chroma Key é evidente, não há uma cena boa de ação, e a montagem é muito amadora: tem uma cena e corta para outra inexplicavelmente e a edição, preguiçosamente coloca passagens de tempo e nada amarra com nada.

            Os fãs do Batman já viram bombas e anos depois foram respeitados, assim como os fãs do Juiz Dredd. Para nós, fãs do Quarteto, ainda estamos na espera, independentemente de ser Marvel, Fox, ou qualquer estúdio.

Nota: 0,0

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Trailer:

domingo, 2 de agosto de 2015

Quarteto Fantástico - A Franquia


            O Quarteto Fantástico surgiu nas HQs muito antes dos X-Men e do Homem-Aranha, mas então por que eles só vieram ao cinema depois deles? Por uma razão muito simples: eles são menos famosos.

            O grupo de heróis tem menos fãs nos quadrinhos do que os mutantes, sobretudo porque os X-Men abordam muito a questão do preconceito e intolerância, ao passo que o Quarteto é basicamente uma família que salva o mundo. O único personagem que explora essa coisa do preconceito é o Coisa, devido à sua aparência.

            Na verdade, foi produzido um filme do Quarteto em 1994 mas jamais foi lançado.
            Eram os anos 90 e a Marvel estava em crise e processo de falência, tanto que vendeu o direito de seus heróis aos estúdios, daí que tivemos os X-Men e Demolidor na Fox, Homem-Aranha na Sony e por aí vai.

            E só foi após o sucesso de Homem-Aranha e X-Men nos cinemas que a Fox teve o sinal verde para produzir o filme do grupo, que foi lançado no verão de 2005, que teve alterações na pós-produção porque um ano antes a Disney/Pixar lançou a animação Os Incríveis que tinha uma família na qual uma personagem ficava invisível e outra tinha o poder da elasticidade.

            Mesmo com as HQs em alta no cinema e a garantia de sucesso, havia uma ponta de desconfiança em Quarteto Fantástico, principalmente pelo diretor, Tim Story havia dirigido, em 2004, o pavoroso Taxi, com Gisele Bündchen.

            Mas se Quarteto Fantástico é um filme fraco, a culpa é menos do diretor e mais pelo péssimo equilíbrio entre roteiro mal feito e má escolha de elenco, na qual todos os heróis estão fracos em seus papéis: Ioan Gruffudd como o Reed Richards/Senhor Fantástico é a prova que não consegue segurar um filme sozinho, além de ele passar a maior parte do filme olhando com cara de adolescente apaixonado pela Susan Storm/Mulher Invisível, que é vivida pela Jessica Alba, que até hoje precisa se provar como atriz: ela é linda, simpática e todos os jornalistas a adoram, mas é impressionante como atua mal, quase sempre sendo indicada ao troféu Framboesa de Ouro.   
      
            Na ocasião, em 2005, ela estava no auge da beleza, basta se lembrar que ela fez, no mesmo ano, Sin City e Mergulho Radical, e aqui em Quarteto Fantástico, a primeira cena em que ela demonstra seus poderes, ela fica seminua em público: é uma desculpa mais do que esfarrapada para ela mostrar seu corpo para um filme maior.

            Johnny Storm/Tocha Humana é vivido por Chris Evans. Se hoje em dia ele arrebenta como o Capitão América, o mesmo não pode se dizer de seu Tocha, que passa o filme todo com piadas se sentindo superior com todos os personagens: se o Sr. Fantástico é muito focado no trabalho, o Tocha é o “descolado” (e ele faz questão de dizer isso toda hora), sua irmã, Susan (sim, ele e a Mulher Invisível são irmãos) é mais velha e ele igualmente se sente superior, mas nada é tão constrangedor do que as brigas entre ele e Ben Grimm/Coisa e os insultos que parecem tirados de Malhação e de qualquer comédia adolescente.

            Seu arco é o único relevante por aqui, exatamente pelo preconceito em que ele sofre da sociedade.

            E assim temos o grupo, mas também temos o vilão, que aqui é Victor Von Doom/Doutor Destino, que tem uma grande construção de personagem: ele é o então namorado de Susan após ela terminar com Reed, é um megaempresário inescrupuloso e só pensa em lucrar, tanto que o acidente que causou os poderes ao grupo ele poderia ter evitado, se não fosse sua ambição.

            O problema é que o ator que faz Victor, Julian McMahon, é péssimo e quando é exigido, é cheio de caras e bocas.

            E assim temos o filme do Quarteto Fantástico de 2005, que até poderia ter boas cenas de ação, como a da Ponte do Brooklyn, mas os efeitos, já datados de 10 anos, atrapalham a diversão.

            Reparem já no final a presença da Kerry Washington como a namorada do Coisa. Se hoje ela arrebenta na série Scandal, na época ela estava em início de carreira e era praticamente ninguém em Hollywood. E mesma época, Jessica Alba era A musa do momento e hoje ela não é praticamente ninguém – olha como o mundo dá voltas.

            O filme foi destruído pela crítica, mas foi um sucesso de público, o que foi o suficiente para a continuação... 2 anos depois, em 2007, é lançado ‘Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado’, com a missão de cobrir as falhas do primeiro filme e apresentar um conceito novo.

            O que de fato acontece em partes, embora ainda há as mesmas intrigas e brigas do primeiro filme, mas há um enorme diferencial: o Surfista Prateado.

            O filme é todo dele e quando ele está em cena, o filme solta faíscas, sobretudo seu primeiro momento, no casamento.

            Ele é o responsável pela ameaça à vida na Terra e somos apresentados ao seu poder: quando os heróis entram em contato com ele, têm seus poderes trocados ao tocar com outro, explico melhor: quando o Tocha toca o Coisa, ele fica com seus poderes, e por aí vai.

            Logo descobrimos que o Surfista, na verdade, é um servo de Galactus (infelizmente, pouco explorado), um ser que precisa da energia dos planetas para se sustentar.

            Com essa nova ameaça vinda dos céus, o governo logo se arma e chama o grupo para salvar o mundo, além do próprio Dr. Destino (!) e esse é um bom arco do filme, em que usa dessas metáforas militares para criticar o uso da força invés das palavras. O problema é que há uma cena de tortura apresentada como se não fosse nada de mais, absolutamente mal feita.

            Quem faz o Surfista é Doug Jones, que já havia interpretado Hellboy e o Fauno de ‘O Labirinto do Fauno’ e a voz do anti-herói ficou a cargo de Laurence Fishburne.

            A evolução em relação ao primeiro filme é clara, embora ainda há várias falhas, como a cena constrangedora de dança do Sr. Fantástico, além das já citadas, desta vez o filme tenta ser maduro e às vezes se leva a sério – mas Chris Evans ainda é o mesmo.
            Os fãs detonaram o filme, assim como o primeiro e as chances de uma trilogia ficaram engavetadas.

            De 2007 para cá, tivemos a criação, ascensão e consolidação do Universo Marvel nos cinemas e levou não só a DC Comics a criar seu Universo, como a Fox, com os mutantes do X-Men, uma nova chance para o Deadpool em 2016 e agora, em 2015, uma nova chance para o Quarteto Fantástico nos cinemas, previsto para estrear dia 6 de agosto de 2015...

Quarteto Fantástico: 3,0

Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado: 7,0


Imagens:

Quarteto Fantástico:






Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado:




Pixels


Pixels

Direção: Chris Columbus

Ano de produção: 2015

Com: Adam Sandler, Michelle Monaghan, Kevin James, Josh Gad, Peter Dinklage, Jane Krakowski, Sean Bean, Brian Cox, Ashley Benson.

Gênero: Comédia de Ação

Classificação Etária: 12 Anos


Um desperdício de tempo e dinheiro

            Muita gente reclama – e com razão – da crise de criatividade em Hollywood. São vários remakes, reboots e franquias em produções milionárias que os estúdios não querem se arriscar com o receio do fracasso.

Mas 2015 está sendo um ano atípico: a maioria dos remakes está dando certo e alguns filmes originais estão decepcionando. Alguém duvida? Basta ver que Mad Max e Jurassic World foram grandes acertos e Tomorrowland, que tinha potencial para ser bacana acabou sendo um filme “normal”.

E agora, justamente no período de férias estreia Pixels, baseado em um curta-metragem de 2010 e claramente inspirado em um episódio de Futurama, que tem uma premissa excelente: os jogos clássicos dos Arcades invadem o planeta e atacando o mundo real e quem irá salvar são justamente os jogadores da época, de acordo com as regras dos games.

Há poucos filmes assim que homenageiam o hábito de jogar videogame e ao universo dos jogos. Recentemente a Disney realizou Detona Ralph, que homenageava os clássicos do fliperama e mostrava o universo dos games de forma aberta e honesta.

Em filmes baseados em um jogo específico, até agora estamos ainda aguardando uma adaptação decente de games e nós, fás de jogos estamos ainda órfãos no mundo do cinema.

Sendo assim, não era baixa a expectativa para Pixels, que tinha potencial para ser um filme definitivo sobre jogos antigos, principalmente porque o diretor do filme, Chris Columbus, conhece o universo infantil como poucos e poderia usar a sua magia que encantou gerações. Ele foi roteirista de Os Goonies, dirigiu os dois primeiros Esqueceram de Mim e os dois primeiros filmes da franquia Harry Potter.

Mas, é com muita tristeza que digo que Pixels é um filme fraco e uma grande desculpa para uma trama grosseira e sem graça.

Menos por culpa de Chris e mais por culpa do roteirista Tim Herlihy, que roteirizou várias comédias como Juntos e Misturados e Gente Grande, mas principalmente por culpa do protagonista, roteirista e produtor de Pixels: Adam Sandler.

A cada ano ele é indicado a pior ator e ele anda pior a cada filme, anda mais estúpido a cada filme, mais canastrão a cada filme. Nos últimos anos ele fez Gente Grande 1 e 2, Este é meu Garoto, Juntos e Misturados, mas o fundo do poço foi no desastroso Cada um Tem a Gêmea que Merece, que nem a presença de Al Pacino salva um dos piores filmes da história do cinema.

Pixels começa com um flashback de 1982 na qual Brenner e Eddie disputam um campeonato de fliperama e a decisão se dá na disputa pelo Donkey Kong, jogo considerado difícil até hoje e na ocasião, foi vencido pelo Eddie.

Depois a história se volta para os dias de hoje, na qual Brenner (vivido por Adam Sandler) é técnico de eletrônica; seu rival, Eddie (Peter Dinklage) está preso; seu melhor amigo, Will (Kevin James) é presidente dos EUA e o garoto-prodígio, Ludlow (Josh Gad), ainda vive no mundo da fantasia.

Brenner faz um serviço de instalação na casa de Violet (Michelle Monaghan), que acabou de se divorciar de seu antigo marido e está criando seu filho sozinha, mas depois descobre-se que ela é Tenente-Coronel do governo dos EUA.

Começa a nascer uma tensão sexual entre Brenner e Violet, o que não é de todo o mal, o problema é que a coisa começa óbvia, com alguns elogios de mal gosto sobre o corpo da atriz Michelle Monaghan, depois um insulta o outro, mas o pior é a insinuação que as mulheres são interesseiras: Violet destrata Brenner e ele diz que ela só o faz porque é pobre, e que se fosse dentro de um iate, ela não faria isso.

E quem achou que Adam Sandler e Michelle Monaghan teriam uma boa química?

Quem também teve um papel que não lhe serviu foi Kevin James como presidente dos EUA. Além de ele estar todo perdido no papel e sem o calibre para tal importância, ele só passa o filme fazendo, adivinhem, piadas sem graça e grosseiras.

Mas o grande desastre de Pixels é a tentativa de ser nerd, mas o filme é um grande insulto e ao invés de homenagear como deveria ser, faz piadas de mal gosto e entra no clichê do nerd ser impopular e “bobão”, sobretudo na figura de Ludlow, que passa o filme inteiro como o virgem desesperado e desejando a Lady Lisa, uma musa dos games dos anos 80.

E quem compra a ideia de Adam Sandler como nerd? Sem contar que ele fica a cada momento tentando fazer frases de efeito para tentar dar uma dramaticidade ao papel, mas é impressionante como ele só faz o mesmo tipo de papel, a mesma expressão a cada filme.

Não bastasse isso, Adam Sandler é arrogante: ele deu uma entrevista recente se sentindo injustiçado perante os críticos. É impressionante como os piores profissionais e pessoas são os que menos assumem quando estão errados (alguém se lembrou de M. Night Syamalan?) – e alguém já viu um grande ator se achando?

Da metade para o final, quando o filme se assume como ação, até existe alguma relevância, sobretudo quando as lutas são verdadeiros games em movimento e quando temos várias referências aos anos 80, seja no comportamento e na música.

Se o filme tem alguma graça, as únicas piadas bacanas estão no trailer, mesmo aquela do criador de Pac-Man, Toru Iwatani, quando sua cria devasta Nova York, foi tão repetida no trailer que no filme perdeu o timing e a graça.

E por falar no trailer, este não é o primeiro caso de 2015 que o trailer entrega o filme e no caso de Pixels, há uma grave problema: o filme claramente estava inacabado quando o trailer surgiu, pois alguns efeitos estão diferentes, mas, sobretudo, a cena em que Kevin James mata um Smurf no trailer, no filme vemos que quem o faz é a personagem de Michelle Monaghan.

Com tudo isso em Pixels, o resultado é mais uma comédia com Adam Sandler, sim, com todos os elementos de seus piores filmes, desta vez só trocou o cenário.

Para quem estava esperando um filme definitivo sobre nostalgia de games, não é com Pixels que se sentirá representado. 

Nota: 4,0

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Trailer:


quarta-feira, 29 de julho de 2015

De volta para o futuro - 30 anos da trilogia


            De Volta Para o Futuro foi um grande marco dos anos 80 e 90 e seu legado repercute até os dias de hoje. Principalmente agora, em 2015, na qual o primeiro filme completa 30 anos e o terceiro, 25, mas o caso mais curioso foi o do segundo filme: ele é de 1989, 4 anos depois do lançamento do primeiro, mas o “futuro” apresentado por ele é justamente o ano de 2015. Ou seja, o futuro já chegou segundo Robert Zemeckis, Steven Spielberg e companhia.

            A idéia nem era fazer uma trilogia, mas hoje é de extrema importância para a cultura pop, gerando produtos, estudos e uma legião de fãs que se dividem quanto a necessidade de uma continuação ou não.

             Recentemente Zemeckis foi perguntado da possibilidade e ele respondeu: “só depois de morto”.

            É que a trilogia é tão fechada e embora seja atemporal, todas as brincadeiras com as datas e com as reviravoltas ficaram por lá e toda a magia e imaginação sobre a possibilidade de viajar no tempo também ficam junto com os 3 filmes que dá muito receio de mexer em algo consolidado.

            Não bastasse isso, vai ser difícil de engolir um novo elenco com atores tão marcantes em seus papéis, sendo assim, mesmo com os fãs clamando pela volta da franquia e querendo mais filmes, é compreensível que o diretor não queira mexer em seu produto, independentemente do sucesso ou não que irá fazer.

            Mas, o que há em ‘De volta para o futuro’ para tamanho sucesso? E Por que há tantos fãs?

            Primeiro temos que voltar à época do primeiro filme. em 1985, Robert Zemeckis era um total desconhecido em Hollywood, mas tinha um amigo poderoso: Steven Spielberg era dos maiores (se não, O Maior) nomes de Hollywood, pois já havia lançado dois filmes de Indiana Jones, ET – O Extraterrestre ainda estava fresquinho na memória do público e não devemos nos esquecer que o filme que o lançou para o estrelato, ‘Tubarão’, havia completado 10 anos de lançamento e foi o filme que praticamente inventou o conceito dos blockbusters.

            Eles se juntaram ao roteirista Bob Gale, aos produtores Kathleen Kennedy e Frank Marshall, ao compositor Alan Silvestri e ao Letrista Huey Lewis para conceber um novo filme para o verão de 1985.

            Mas ‘De Volta Para o Futuro’ não nasceu da forma como o conhecemos, houve algumas mudanças de roteiro e personagens: no script original, a viagem do tempo não seria feita em uma DeLorean, mas em uma geladeira, mas os realizadores acharam que o público poderia querer imitar entrar na geladeira de casa. E também quem faria o papel de Marty McFly seria Eric Stoltz ao invés de Michael J. Fox, mas os produtores não achavam que não seria uma boa idéia porque Eric era “sério” demais. Fox estava envolvido com a série ‘Caras e Caretas’ durante o dia e filmava o filme à noite – e as tomadas do filme que acontecem de dia foram filmadas durante o fim de semana.

            E embora a trilogia inteira seja excelente, nada apaga a magia e o clima de nostalgia do primeiro filme: desde o clima de anos 80, que nos remete à adolescência, bullying, mas fundamentalmente à viagem no tempo: quando Marty volta a 1955, ele vê seu local completamente diferente: não existe a Av. John Kennedy (ele foi eleito presidente só em 1960), na ocasião do lançamento do filme, o presidente americano era Ronald Reagan – sendo que nos anos 1950 ele era ator – e há uma piada deliciosa sobre isso. E o sujeito que era prefeito em 1985 trabalhava em uma lanchonete 30 anos antes.

            Mas em relação às mudanças na vida de Marty, nada se compara ao encontro dos seus pais quando jovens: sua mãe, Lorraine, que se apaixona por Marty era popular na escola e fumava, já seu pai era tímido, carente e só apanhava de Biff (o grande vilão da série). A presença de Marty em 1955 altera toda a história, principalmente no encontro e relacionamento de seus pais. E quem nunca quis ver como eram os pais na adolescência?

            ‘De volta para o futuro’ é um filme perfeito: desde a história, carisma, envolvimento, técnica, reconstituição de época e o lado musical: a Trilha Sonora de Alan Silvestri já ficou na história do cinema e a canção principal, The Power of Love, de Huey Lewis foi indicada ao Oscar, mas perdeu, injustamente para ‘Say you, say me’.

            O sucesso de público e crítica de ‘De volta para o futuro’ fez os produtores e roteiristas pensarem em uma continuação, mas é curioso isso porque o final do filme já sugere que haverá uma seqüência, mas Zemeckis disse em uma entrevista que tudo foi uma brincadeira do roteiro. Não bastasse isso, a mensagem “To be continued”, que aparece no final, só veio no VHS e DVD.

            ‘De volta para o futuro 2’ só veio em 1989, 4 anos depois. Agora com um orçamento muito maior e sendo filmado simultaneamente com a parte 3. O filme finalmente apresentou o futuro que estávamos imaginando: a história se passa no ano de 2015 (!) na qual Marty, sua namorada, Jennifer e Doc Brown viajam para o futuro com a DeLorean para corrigir um problema com seu futuro filho, na qual ele também sofre bullying da gangue de Griff (neto de Biff).

            Lá, ele “se vê” no futuro, e também vê sua esposa e filhos (e os filhos também não interpretados por Michael J. Fox, inclusive A filha, em um trabalho interessante de maquiagem).

            Seu local está completamente diferente: há um cinema em 3D passando “Tubarão 19”, os skates são voadores, a polícia é mais eficiente no combate ao crime, não há advogados e os carros voadores já existem (à exceção do cinema em 3D, é bem diferente da 2015 de hoje).

            Porém, o plot principal do principal de ‘De volta para o futuro 2’ é que no futuro de 2015, há um almanaque com os resultados de todos os jogos de todos os esportes entre 1950 e 2010, que Marty tem idéia de levar ao passado para ganhar dinheiro, mas é impedido por Doc Brown.

            O problema é que o Biff do futuro volta ao passado e entrega o tal almanaque para o Biff de 1955 e o presente de 1985 é completamente diferente do apresentado no primeiro filme: Biff é o homem mais poderoso da cidade, sua mãe é casada com ele e seu pai foi assassinado pelo próprio Biff em 1973. Considerando a cidade escura, é praticamente um futuro pós-apocalíptico.

            ‘De volta para o futuro 2’ não agradou como o primeiro, sobretudo pela trama dita confusa e pelas previsões furadas de roteiro, mas jamais podemos menosprezá-lo: as brincadeiras com passado, presente e futuro estão mais aprofundadas e as questões como “e se?” também foram mais apuradas.

            Sem contar que é difícil prever o futuro e os realizadores sabiam disso, tanto que levaram a história mais pela brincadeira...

            Seis meses após a estréia do segundo, ‘De volta para o futuro 3’ estréia.

            Dessa vez eles voltam 100 anos no tempo e viajam para 1885, no Velho Oeste.

            Embora seja o mais fraco da trilogia, sobretudo pela mudança de paradigmas – o que era ficção virou western – ainda é um filme muito bacana, absolutamente divertido de se ver, mostrando a cidade em construção (na verdade, o país em construção, na chamada “Marcha para o Oeste”), novamente as referências do primeiro filme estão lá e uma homenagem honesta a Clint Eastwood – coincidência ou não, ele realiza o grande ‘Os Imperdoáveis’ em uma homenagem aos westerns.

            A trilogia se encerra de forma honesta e melancólica. Foi difícil ver a destruição da DeLorean e saber que aquilo não vai mais acontecer, mas nos faz lembrar que todo ciclo se fecha uma hora e também não nos deixou se esquecer da nossa dura realidade, mesmo estando vendo uma obra de pura magia.

De volta para o futuro: 10,0

De volta para o futuro 2: 9,0

De volta para o futuro 3: 8,0


Imagens:

De volta para o futuro:





De volta para o futuro 2:






De volta para o futuro 3: